Exportadores alertam para vindima “ainda mais dramática” e solicitam reunião urgente no Parlamento

"Muitos viticultores deixaram as uvas por colher, ou por não conseguirem encontrar compradores ou pelo facto de o preço que lhes foi oferecido implicar um prejuízo demasiado avultado e não compensar o seu trabalho, após um ano de investimento nas vinhas", descreve a ANCEVE.

Exportadores alertam para vindima “ainda mais dramática” e solicitam reunião urgente no Parlamento
Benoit Tessier/Reuters

A Associação Nacional dos Comerciantes e Exportadores de Vinhos e Bebidas Espirituosas (ANCEVE) alertam que a vindima de 2025 devem ser “muito provavelmente ainda mais dramática” do que a do ano passado, depois de umas vindimas em 2024 que já “foram das mais dramáticas” da história. A associação diz que solicitou uma reunião com carácter de urgência com a Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas para debater o estado do setor.

“Muitos viticultores deixaram as uvas por colher, ou por não conseguirem encontrar compradores ou pelo facto de o preço que lhes foi oferecido implicar um prejuízo demasiado avultado e não compensar o seu trabalho, após um ano de investimento nas vinhas”, descreve a ANCEVE.

A associação diz ainda que a partir dessa vindima passamos a ter um “setor diferente, mais crispado, menos unido e com muitos viticultores, produtores, comerciantes e exportadores a tentarem vender as suas empresas ou a ponderarem pura e simplesmente abandonar a atividade, por ser clara e insustentavelmente deficitária”.

A ANCEVE deixa ainda críticas ao Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), que a associação considera ser uma instituição “fundamental” para o sector. A associação refere que o IVV encontra-se numa situação de “indefinição e paralisia”, em consequência da exoneração verbal do seu Conselho Diretivo em Janeiro.

“Estranhamente (passados seis meses) ainda não foi formalizada pela tutela, o que impacta muito negativamente um setor que sofre neste momento os efeitos gravíssimos de uma crise internacional com tendência a agravar-se nos próximos tempos”, diz a ANCEVE.

A associação alega que o setor “não foi auscultado” quanto à exoneração do Conselho Diretivo do IVV, e “tão pouco relativamente à equipa eventualmente designada para lhe suceder e desconhece os motivos para a decisão intempestiva” do Governo.

“As exportações estavam a crescer no início do ano e a incerteza no comércio internacional causada pela política tarifária de Donald Trump, conjugada com o consumo de vinho em queda a nível global e com as campanhas anti-vinho, inverteram a tendência”, diz a associação.

A ANCEVE diz que solicitou uma reunião com carácter de urgência com a Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas, com o objetivo de “debater a situação atual do setor do vinho, as perspetivas dramáticas para a vindima que se avizinha e as medidas necessárias que é imperioso adotar”.

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