Angola incluída na lista cinzenta de países que mostram deficiências no combate ao branqueamento de capitais

O Ministério das Finanças angolano já reafirmou o “compromisso de alto nível” para reforçar a eficácia da prevenção e combate ao branqueamento de capitais, financiamento de terrorismo e proliferação de armas de destruição maciça e garantiu que tudo fará para cumprir o plano de ação recomendado.

Angola incluída na lista cinzenta de países que mostram deficiências no combate ao branqueamento de capitais
Verda Daves séria

Angola foi incluída na lista de países que mostram deficiências no combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo alvo de monitorização reforçada do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), noticiou a Forbes África Lusófona e confirmou a organização.

O GAFI, uma organização que luta contra o branqueamento de capitais, anunciou na sexta-feira, 25 de outubro, a inclusão de Angola naquela que é conhecida como a lista cinzenta de países mais escrutinados, o que poderá provocar dificuldades no movimento de capitais.

A inclusão de Angola nesta lista representa um sinal de alerta para bancos e instituições financeiras globais sobre o aumento dos riscos de operações financeiras com o país, podendo afetar o seu acesso a investimentos e financiamento internacional, refere a Forbes África Lusófona.

A presidente do GAFI, Elisa de Anda Madrazo, fez o anúncio no final de uma reunião plenária, em Washington, nos Estados Unidos da América (EUA), em que participaram mais de 200 membros da Rede Global do Grupo e várias organizações observadoras de relevo, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), as Nações Unidas, o Banco Mundial e a Interpol.

“A inclusão de Angola na lista cinzenta do GAFI é preocupante, mas o sistema financeiro já operava sob esses constrangimentos devido à perda de correspondência bancária”, disse o representante residente FMI em Angola, Victor Duarte Lledo, à margem da reunião, citado pela agência Lusa.

“Os vários estudos empíricos que fizemos em vários países que passaram por isso mostram que o efeito de curto prazo é poder tornar as transações transfronteiriças um pouco mais demoradas devido à ‘due dilligence’, podendo haver uma redução do fluxo de capitais”, disse Victor Lledo.

“Os bancos têm feito um progresso muito grande para reconquistar a correspondência bancária”, afirmou, acrescentando que com “o elusmpenho ao mais alto nível, coordenação e capacitação, o Fundo apoiou e continua disponível para ajudar Angola a sair da lista cinzenta o mais rápido possível”.

Reagindo à decisão, o Ministério das Finanças angolano afirmou que “após a discussão do Relatório de Progresso pós-período de Observação, o órgão de especialidade do GAFI para África concluiu que, das 87 ações recomendadas, Angola conseguiu resolver um total de 70 deficiências, permanecendo 17 por resolver”.

No comunicado, o Governo angolano reiterou o “compromisso de alto nível” para reforçar a eficácia da prevenção e combate ao branqueamento de capitais, financiamento de terrorismo e proliferação de armas de destruição maciça e garantiu que “envidará os esforços necessários para o cumprimento atempado e efetivo do plano de ação recomendado”.

Além de Angola, a reunião plenária também abordou as medidas de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento ao terrorismo na Argentina e em Omã, bem como os progressos realizados por outras jurisdições que já foram identificadas pelo GAFI como apresentando riscos para o sistema financeiro global.

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