O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, instou hoje os palestinianos a unirem-se para criarem o seu próprio Estado, considerando esta a única maneira de alcançar uma paz duradoura na região.
Lavrov insistiu que “a questão da criação do Estado palestiniano deve ser resolvida com base nas resoluções do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral das Nações Unidas”.
Segundo o diplomata, os Estados Unidos já há algum tempo “que ignoram” os interesses dos países da região, embora tentem atuar como “mediadores”.
“Os Estados Unidos estão a tentar, por todos os meios, retomar o papel de principal mediador. Mas, tanto quanto podemos julgar, pela informação que temos (…), não pretendem [a criação de] um Estado palestiniano, mas uma ‘normalização’ na Cisjordânia e na Faixa de Gaza”, disse.
Além disso, acrescentou, “há forças que utilizam os trágicos acontecimentos em Gaza para cimentar a fragmentação e a discórdia entre os territórios palestinianos”.
Nesta situação, são os próprios palestinianos que devem unir forças para intensificar o diálogo interpalestiniano e defender os seus interesses.
“Desejamos aos palestinianos e ao presidente Mahmoud Abbas [da Autoridade Nacional Palestiniana] sucesso na formação de um novo Governo. Esperamos que reflita a vontade de superar diferenças e seja composto por pessoas que representam os interesses de todo o povo palestiniano”, sublinhou Lavrov.
Representantes da Fatah e do Hamas chegaram na quarta-feira a Moscovo para tentar superar a divisão interna e negociar uma possível formação de um Governo de tecnocratas.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo para o Médio Oriente e África, Mikhail Bogdanov, salientou que o objetivo destas consultas é preparar o caminho para que os palestinianos adotem uma causa comum do ponto de vista político e sublinhou que, para Moscovo, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) continua a ser “o representante legítimo do povo palestiniano”.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, uma dezena de grupos que integram a OLP, o Hamas e o movimento Jihad Islâmica participarão na reunião que se prolongará até sábado.
A Rússia tem apoiado a aspiração palestiniana de criar um Estado independente nas fronteiras que existiam antes da Guerra dos Seis Dias, em 1967, com capital em Jerusalém Oriental e de acordo com as resoluções da ONU, razão pela qual ofereceu a sua capital como sede para a reunião.
Além disso, a Rússia aguarda há vários meses uma visita a Moscovo de Abbas, cuja influência no processo de mediação entre Israel e o Hamas é quase nula, uma vez que não atua como interlocutor nem tem controlo direto sobre Gaza, onde o grupo islamita derrubou Abbas do poder em 2007.
Esta não é a primeira vez que acontecem consultas de reconciliação semelhantes, já que os grupos já estiveram reunidos em 2019 e 2017, quando a Fatah e o Hamas exigiram que Abbas formasse um governo de unidade nacional.