Ronald Lavater, Carlos Pereira Alves, Óscar Gaspar, Xavier Barreto

A construir os hospitais do futuro

Os cidadãos de todo o mundo anseiam pelo acesso a cuidados de saúde adequados e o bom funcionamento dos hospitais é um pilar da sustentabilidade dos sistemas de saúde.

Entre 25 e 27 de outubro, Lisboa recebeu o 46º Congresso Mundial dos Hospitais. Os participantes concordaram unanimemente que o nível científico das apresentações foi excecional. Quer nas sessões plenárias, como nos painéis paralelos, foram discutidos casos concretos de grande impacto, nos mais variados temas: bem-estar dos profissionais de saúde, eficiência energética, liderança no feminino, value-based healthcare, robótica e inteligência artificial, entre tantos outros temas fundamentais para o futuro dos sistemas de saúde.

Com base na experiência dos quatro cantos do mundo, estivemos a contribuir para o desenho dos hospitais do futuro.

Este evento promovido pela Federação Internacional dos Hospitais e coorganizado pelo consórcio português, constituído pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH), pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) e pela Associação Portuguesa de Hospitais Privados (APHP), trouxe a Lisboa 1.400 participantes, oriundos de 91 países, e contou com mais de 200 oradores.

Todos os que participaram no Congresso saíram, com toda a certeza, enriquecidos em termos de conhecimento e motivados para fazer melhor e liderar as suas equipas. Os cidadãos de todo o mundo anseiam pelo acesso a cuidados de saúde adequados e o bom funcionamento dos hospitais é um pilar da sustentabilidade dos sistemas de saúde. O seu impacto vai muito além da atividade “tradicional” e passa pela telemedicina, pela hospitalização domiciliária, pela articulação com os cuidados primários e pela contínua introdução de conhecimento e tecnologia, nomeadamente a inteligência artificial.

Na atual conjuntura geoestratégica, o Congresso Mundial dos Hospitais também reiterou a absoluta necessidade de garantir que os profissionais de saúde possam exercer a sua atividade, em prol dos cidadãos, sem violência nem ameaças à sua integridade.

Neste Congresso, cujo mote era “Global Learning, Local Action”, houve dois temas omnipresentes: o dos recursos humanos e o da sustentabilidade das atividades de saúde. Em todo o mundo precisamos de mais profissionais de saúde, precisamos de cativar jovens para trabalhar neste setor, precisamos de criar as condições para que as pessoas se realizem pessoal e profissionalmente nos hospitais, precisamos de aproveitar todo o incrível talento das nossas equipas para proporcionar cada vez melhores cuidados de saúde.

Por outro lado, temos consciência de que a saúde tem uma forte responsabilidade em termos ambientais pelo que há que trabalhar para reduzir consumos e desperdícios, otimizar percursos, limitar as emissões.

Está nas nossas mãos a mudança e é trabalhando em conjunto que poderemos encontrar e implementar soluções de futuro. Pela nossa parte, garantimos ter compreendido bem as mensagens do 46º Congresso Mundial dos Hospitais e dos contactos com os pares da comunidade internacional de Saúde resultam muitas lições que podemos sintetizar em sete pontos:

  1. Os recursos humanos são o ativo mais valioso dos hospitais;
  2. O bem-estar dos doentes e a geração de ganhos em saúde é a missão essencial dos hospitais;
  • Os hospitais devem funcionar cada vez mais de forma articulada com outros níveis de cuidados;
  1. Os hospitais devem ser construídos numa ótica de sustentabilidade;
  2. Nos seus planos de atuação e aquisições os hospitais devem sempre ter em conta a comunidade em que estão integrados;
  3. As novas tecnologias da saúde, tal como a telemedicina, são um contributo essencial para o acesso universal a cuidados de saúde de qualidade e a custos sustentáveis;
  • A inteligência artificial é uma grande oportunidade para aumentar o acesso e a eficiência, otimizar jornadas de trabalho e acelerar a investigação em saúde.

Este é o nosso compromisso. Assim construiremos os hospitais do futuro. Em setembro de 2024 estaremos no Rio de Janeiro para o próximo Congresso Mundial dos Hospitais e para avaliarmos o trabalho desenvolvido em cada um destes campos.

Assinam este texto Ronald Lavater, Carlos Pereira Alves, Óscar Gaspar e Xavier Barreto.

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