Fed mantém juros inalterados, mas admite nova subida este ano dada força da economia

As projeções do banco central continuam a apontar para 5,6% nos juros de referência no final do ano, mas Powell lembra que estas "não são um plano", refletindo sobretudo a atividade económica mais forte do que esperado. Dependência dos dados será para manter perante ainda "muita incerteza".

Fed mantém juros inalterados, mas admite nova subida este ano dada força da economia
powell

Sem surpresas, a Reserva Federal manteve os juros inalterados na reunião concluída ontem, apesar de a atualização das projeções macro continuar a apontar nova subida até ao final do ano. Jerome Powell, presidente da instituição, não excluiu a possibilidade, reforçando o compromisso com a descida da inflação e admitindo riscos, mas procurou desvalorizar as previsões, reiterando que “não são um plano”.

Com os juros de referência em máximos de 2001, entre 5,25% e 5,5%, o mercado atribuía 99% de probabilidade a ficar tudo inalterado e a Fed não desiludiu. Analistas e investidores começam a apostar com alguma certeza que o pico do aperto monetário já foi alcançado, mas a atualização de projeções macro do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC, em inglês) colocam os juros no final deste ano em 5,6%, implicando nova subida até lá.

“As projeções não são um plano”, ressalvou Powell, pelo que “não significam que tenhamos decidido se chegámos à postura que procuramos”. Pelo contrário, sendo uma reunião de atualização de previsões macro, os membros do FOMC “escreveram o que previam” para a economia. O presidente da Fed reforçou o compromisso com a recuperação da estabilidade de preços, argumentando que não o conseguir “seria o pior que a Reserva Federal podia fazer”.

Como tal, e reconhecendo uma atividade económica “mais forte do que o esperado”, é possível que os juros ainda tenham de voltar a subir. Ao mesmo tempo, as previsões para os juros no final do próximo ano e 2025 foram revistas em ligeira alta, algo explicado pelas resistência e força mostrada pela economia.

“Uma atividade económica mais forte significa que temos de fazer mais do lado das taxas”, resumiu. A Fed reviu o crescimento este ano em alta para 2,3%, bem acima dos 1,0% antecipados em junho. Para 2024, a expectativa é de 1,5%, ou seja, acima dos 1,1% anteriormente estimados.

Ainda assim, a Fed “já percorreu um longo caminho”, o que coloca a autoridade monetária em melhor posição para “agir cuidadosamente”, aguardando para ver a materialização dos efeitos da subida de juros na economia real.

Questionado sobre a possibilidade de uma ‘aterragem suave’, um cenário em que a inflação volta a valores em linha com o objetivo de 2% da Fed sem despoletar uma recessão, Powell garante que esse não é o cenário base, mas “é possível”.

“Diria só que sempre achei que esse caminho era possível e plausível. Pode ter alargado ou estreitado várias vezes durante o ano e, no final de contas, pode até ser decidido por fatores fora do nosso controlo, mas acho que é possível”, projetou. Os riscos são, no entanto, vários: os EUA enfrentam uma greve nacional no sector automóvel, uma provável paralisação do Governo federal e o regresso dos pagamentos de empréstimos estudantis, tudo fatores que irão afetar o rendimento disponível.

Recusando-se a comentar a greve, Powell admitiu que “pode afetar o PIB e trazer mais inflação, mas dependerá muito de quão abrangente e duradoura fora”. Até lá, a Fed terá de lidar com a incerteza que se mantém em torno da economia norte-americana.

Relacionado