Japão inicia descarga de águas residuais radioativas de Fukushima

As descargas estão a adensar conflitos geoestratégicos com a China, Macau e Hong Kong a anunciarem a proibição de alguns produtos de pesca japoneses.

Japão inicia descarga de águas residuais radioativas de Fukushima
Fukushima

A China e as regiões administrativas especiais chinesas de Hong Kong e Macau proibiram a importação de alguns alimentos japoneses em resposta à decisão do Japão de iniciar esta quinta-feira, 24 de agosto, a descarga para o Oceano Pacífico de água radioativa tratada da central nuclear destruída de Fukushima.

Diferente foi a reação da Coreia do Sul, o outro vizinho do Japão, que tem realizado testes numa tentativa de demonstrar à população de que não há risco de contaminação ambiental ou de alimentos devido às descargas.

No âmbito da medida anunciada pelo governo japonês, serão despejados 500 mil litros de água por dia numa operação supervisionada pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e que deverá estender-se até 2050.

Já esta quinta-feira, a AIEA informou, citada pela agência Reuters, ter realizado uma análise independente no local e confirmado que a concentração de trítio estava muito abaixo do limite.

As descargas têm início praticamente 12 anos e meio depois do desastre de março de 2011 causado por um forte terramoto e tsunami, e são realizadas pelo operador da central, a Tokyo Electric Power Company Holdings (TEPCO). Contam com a oposição de grupos ambientalistas e dos pescadores japoneses que ao longo destes anos viram muito desvalorizado o produto do seu trabalho.

A central de Fukushima Daiichi deverá já no início de 2024 ficar sem espaço para armazenar cerca de 1,33 milhões de toneladas de água, provenientes de chuva, água subterrânea ou injeções necessárias para arrefecer os núcleos dos reatores nucleares.

Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero, citado, esta quinta-feira, no site da Rádio Renascença, considerou que  “há estudos que ainda não foram feitos, nomeadamente na interação dos vários elementos radioativos no ecossistema e na cadeia alimentar. Portanto, devia ser utilizado mais tempo, continuando a água a ser armazenada antes de começar a ser enviada para o oceano”.

Francisco Ferreira alertou para conflitos geoestratégicos desnecessários. “Macau, Hong Kong, a China, acima de tudo, a tomar uma posição bastante dura em relação às descargas, e a afirmar que vai proibir o consumo de alimentos e este tipo de conflitos era, obviamente, evitável”, afirmou.

O Japão, ainda de acordo com a Reuters, exportou para a China cerca de 600 milhões de dólares em produtos ligados ao mar em 2022, sendo o maior mercado do sector, com Hong Kong em segundo. As vendas para a China e Hong Kong representaram 42% do total.

Os 10 territórios afetados pelas proibições chinesas são Tóquio, Fukushima, Chiba, Tochigi, Ibaraki, Gunma, Miyagi, Niigata, Nagano e Saitama. A proibição afetará sobretudo as empresas de pesca japonesas bem como os retalhistas e restaurantes chineses que são abastecidos pelo pescado japonês.

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