Eduardo Teixeira, Economista e deputado do Chega à Assembleia da República

‘Rentrée’ nacional

Compete a quem nos governa ter mais sensibilidade e ir mais além no que tem feito para conter a inflação, pondo o país a crescer.

Portugal vive das piores recessões da nossa história coletiva.

Após uma pandemia de saúde pública que deixou marcas profundas e contaminou o nosso tecido empresarial, vê-se agora a braços com os efeitos da guerra que dura há ano e meio, e acelerou os efeitos nefastos a um ritmo vertiginoso nas famílias, na economia e riqueza nacional.

Todos os riscos inerentes vividos, tornam o nosso dia a dia num verdadeiro desafio, a exigir inovação e criatividade, nervos de aço e compreensão social para com todos e, em especial, os mais necessitados, afetados por estes desastres económicos.

Os próximos desafios à escala mundial estarão, sem dúvida, na busca de soluções para combater a inflação (e não pode ser só o aumentar as taxas de juro…), na consciencialização sobre a sustentabilidade do planeta e nas formas da organização do trabalho.

Na verdade, já a crise global de há três anos, do ponto de vista sanitário, trouxe alterações profundas na nossa vida em sociedade.

Quase nada é igual, pois parece evidente que existe uma maior consciencialização das pessoas, no sentido de que há questões que interessam a toda a humanidade e que só poderão ser resolvidas com um efetivo reforço da cooperação internacional e das instituições multilaterais.

Os empreendedores têm sido fundamentais neste esforço, pois são eles que lutam diariamente pela sustentabilidade dos negócios e das empresas, pela manutenção dos postos de trabalho e criação de riqueza, num Portugal que não se conforma e não cede às dificuldades.

Compete a quem nos governa ter mais sensibilidade e ir mais além no que tem feito para conter a inflação, pondo o país a crescer (estamos na taxa 0%) e assegurando o emprego que nos garanta um futuro coletivo.

Para isso, é urgente executar uma séria reestruturação, ignorando diferenças ideológicas, retomando temas como a reforma e reestruturação do funcionamento do Estado, a tipologia da nossa despesa pública, a redução do peso na economia e o nível de burocracia que perdura.

Nesta rentrée das férias, o trabalho é gigante, árduo e exige precaução e sabedoria nos passos públicos, para que seja possível crescer sem inflação, proteger o emprego e o rendimento evitando mais austeridade, na busca de uma economia de mercado competitiva, sustentável e socialmente inclusiva.

Sem demagogias ou eleitoralismos, mas com sentido de responsabilidade, abraçar a missão de salvar Portugal, sem pôr em causa o futuro e as próximas gerações.

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