A galeria Narrativa abre uma janela sobre o trabalho intimista da fotógrafa britânica Emma Hardy. Ou melhor, 39 pequenas janelas-fotografias serão exibidas neste espaço lisboeta, onde a artista expõe, pela primeira vez, o trabalho realizado ao longo de mais de 20 anos, em Portugal. “Permissions” integra 39 retratos do acervo da National Portrait Gallery, em Londres, em torno do desafio da maternidade e das mudanças da vida em família.
A inauguração tem lugar a 28 de abril e conta com a presença da autora. No dia seguinte, 29 de abril, o “Ciclo Narrativa 2023” inclui a leitura de portefólios gratuita, uma conferência com Emma Hardy para a apresentação do livro homónimo “Permissions”, editado pela Gost Books, e ainda a abertura da próxima edição da Masterclass Narrativa.
Mas quem é Emma Hardy? De 1981 a 1983, a jovem Emma estudou teatro na Universidade de Bristol. Em 2000, decidiu fazer um curso de fotografia no Suffolk College e, embora não tenha terminado os estudos devido a uma lesão, assumiu que a fotografia era a sua paixão e futuro. Retratista por excelência, e capaz de exercer um olhar acutilante sobre as nuances do dia a dia, é fascinada pelo comportamento das pessoas, pelas respetivas tensões e interações.
A luz natural é uma constante nos seus trabalhos, que dissecam o rosto de ilustres desconhecidos, família e amigos, como figuras conhecidas do público, como as atrizes Tilda Swinton e Noomi Rapace, a supermodelo russa Natalia Vodianova, ou o realizador Michael Fassbender, para citar apenas alguns. Isto a somar aos trabalhos que tem vindo a fazer para o universo editorial, que vai da moda aos negócios, nomeadamente, a “Monocle”, “New York Times”, a Paul Smith, “Rolling Stone”, “The Telegraph Magazine”, “Vanity Fair” e “Wall Street Journal”, entre muitos outros.
Ainda a 29 de abril, terá lugar a projeção do documentário “Garry Winogrand, All Things Are Photographable”, que se debruça sobre a vida e obra do fotógrafo norte-americano Garry Winogrand. Naquela que é a sua primeira exibição do documentário da cineasta Sasha Waters Freyer, o público terá a oportunidade de conhecer melhor aquele que é muitas vezes descrito como “um poeta, um atleta ou um filósofo da fotografia”. Winogrand aproveitou o acaso das ruas de Nova Iorque para captar a essência da sociedade norte-americana, durante as décadas de 1950, 1960 e 1970, lançando as bases do que viria a ser a fotografia de rua moderna.
O último dia do Ciclo Narrativa 2023 inicia-se com uma conversa privada com Emma Hardy, na qual a autora partilha e discute o seu processo de trabalho com apenas dez participantes. A tarde será dedicada à apresentação do primeiro livro de Rui Bernardino, “Through the Eyes of the Leopard”, assim como ao crescimento do mercado dos livros de fotografia, numa conversa que reúne Fábio Miguel Roque, João Baptista e Rui Ribeiral.
O fecho do Ciclo ficará a cargo de Maria Oliveira, fotógrafa vencedora do Novo Talento FNAC, que irá partilhar o seu percurso fotográfico e dar algumas pistas sobre projeto que vai dar forma ao seu próximo livro.