O protesto alarga-se entre a classe docente. A FENPROF promove esta quarta-feira, 22 de março, pelas 13h00, uma concentração à porta do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) para “dar conta da indignação dos investigadores e docentes relativamente ao bloqueio das negociações”.
André Carmo, coordenador do Departamento do Ensino Superior e Investigação da FENPROF e professor da Universidade de Évora, e Nuno Peixinho, dirigente da FENPROF e investigador da Universidade de Coimbra, lideram o protesto, acusando o Ministério de Elvira Fortunato e Pedro Nuno Teixeira de continuar “inexplicavelmente em silêncio” sobre o protocolo negocial acordado em novembro. E exigem a retoma das negociações.
“A precariedade continua a ser a marca de água das instituições do ensino superior e do sistema científico e tecnológico nacional”, afirma a FENPROF, citando estatísticas da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC): “Cerca de metade dos docentes do ensino superior e 75% dos investigadores têm vínculos precários”. Um número elevado mas que, diz, pecar por defeito, dado que não inclui os bolseiros nem com os contratados pelas instituições privadas sem fins lucrativos.
A FENPROF acusa ainda as Instituições de Ensino Superior de exercer “uma chantagem inaceitável, procurando impedir as renovações dos contratos. “O DL57 prevê a abertura de concursos para ingresso na carreira ao fim de seis anos de contrato nas instituições de direito público”, contrapõe, exigindo a garantia de abertura dos concursos para todos os investigadores, com contrato de trabalho ou de bolsa, independentemente do vínculo ser de natureza pública ou privada.