A instabilidade governativa passou a ser a principal preocupação dos administradores e gestores de empresas. A conclusão é do barómetro mensal elaborado pelo Fórum de Administradores e Gestores de Empresas (FAE), que reúne os líderes das maiores e principais empresas nacionais – entre elas, dez das cotadas na bolsa lisboeta. Em fevereiro deste ano, a preocupação quanto ao futuro da governabilidade ultrapassou pela primeira vez a inflação no pódio dos receios – fenómeno que dominou as preocupações dos gestores durante o último ano. Como explica em entrevista ao Jornal Económico o presidente da FAE, Paulo Carmona, o fenómeno não é de estranhar se olharmos para as datas.
Imediatamente após a queda do Governo, depois do chumbo do Orçamento do Estado em 2021, a categoria “Governo & Política” disparou no ranking das preocupações dos gestores. Os medos dissiparam logo em janeiro de 2022, consolidado o resultado das eleições legislativas que veio dar maioria absoluta ao PS. “À partida é mais fácil governar com maioria absoluta, já que não tem que se estar a ceder a parceiros de coligação que nem sempre são pró-negócio, ou pró-empresas”, esclarece Carmona. No passado mês de fevereiro, a governabilidade era a principal preocupação de pelo menos 30% dos inquiridos – um valor que só se registou imediatamente antes das eleições legislativas.
De resto, a preocupação quanto à governabilidade do país foi descendo e descendo na escala de receios ao longo de 2022, dando lugar a outras concretas e preocupantes realidades que também se iniciaram em fevereiro do ano passado, nomeadamente as decorrentes da invasão russa da Ucrânia.
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