A violência está a regressar à Colômbia. Uma explosão chocou os moradores de Florencia, capital de Caquetá, embora sem vítimas mortais, na manhã desta sexta-feira, menos de 24 horas de dois ataques sangrentos em Cali e Antioquia.
Em Cali, berço de um dos impérios criminosos mais temidos da Colômbia nas décadas de 1980 e 1990, um camião carregado de explosivos explodiu perto da Escola de Aviação Militar Marco Fidel Suárez, deixando seis mortos e mais de 60 feridos.
Em Amalfi, Antioquia, um helicóptero da polícia foi abatido por um drone explosivo, matando 12 policiais e ferindo vários outros.
No total, os ataques de quinta e sexta-feira fizeram 18 mortos e dezenas de feridos, no que as autoridades consideram uma ofensiva coordenada por dissidentes das FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia).
As autoridades atribuem os dois crimes a duas dissidências das ex-FARC, em conflito entre si, que rejeitaram o acordo de paz assinado em 2016.
Recorde-se que o governo da Colômbia assinou com as FARC um acordo de paz em 2016 e desde que, em agosto de 2022, assumiu os destinos da Colômbia, Gustavo Petro, antigo guerrilheiro, instituiu uma política de “paz total” com todos os grupos armados, incluindo as dissidências das FARC e o Exército de Libertação Nacional.
Em janeiro deste ano, porém, o ELN entrou em confronto com uma fação dissidente das FARC, o que levou Gustavo Petro a ordenar a suspensão das negociações de paz com os guerrilheiros, iniciadas no seu governo, acusando o ELN de “crimes de guerra” por atacar civis.
Como pano de fundo da violência está o controle das rotas de tráfico de droga, que sempre foram centrais num país que é o maior produtor mundial de cocaína.
Já este sábado, o Ministério Público colombiano anunciou na rede social X que dois guerrilheiros estão a ser processados por homicídio. Walter Yonda e Carlos Obando Aquirre, membros da Frente Jaime Martinez do Estado-Maior Central (EMC), a maior dissidência das ex-FARC, estão a ser processados por homicídio qualificado, um crime que pode ser punido com até 50 anos de prisão.
Segundo o procurador, os dois suspeitos terão “transportado e ativado dois camiões nos quais estavam colocados vários cilindros contendo um material explosivo à base de nitrato de amónio e granadas de morteiro”. Um dos veículos explodiu em frente à escola de aviação militar de Cali, a terceira cidade mais populosa do país.
O presidente Gustavo Petro anunciou na sexta-feira, também na rede social X, a prisão de Diomar Mancilla, membro da coluna Jaime Martínez, que, segundo o chefe de Estado, “participou no ataque contra a população civil”.
No sábado, o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, disse aos jornalistas que o Estado está a usar todos os meios para “neutralizar as ameaças” à segurança, que atravessa a pior crise numa década.
Vários grupos dissidentes realizaram recentemente dezenas de ataques e são igualmente suspeitos do assassinato do senador e candidato presidencial de direita Miguel Uribe Turbay, atingido por dois tiros na cabeça por um adolescente de 15 anos contratado, enquanto discursava na capital, em 07 de junho.