“Usar e não ser usado”. Com um ano de mandato, o que pode ganhar Varandas com Jorge Mendes?

Fim do mercado de transferências trouxe turbulência a Alvalade e a proximidade à Gestifute é controversa entre sócios e adeptos. Que ameaças e oportunidades pode esta parceria trazer à direção de Frederico Varandas que, ao final de um ano de mandato, parece estar longe de convencer os mais céticos?

“Usar e não ser usado”. Com um ano de mandato, o que pode ganhar Varandas com Jorge Mendes?
Cristina Bernardo

Não são tempos fáceis para o Sporting CP e para o seu presidente, Frederico Varandas. Ao final de um ano de mandato, Leonel Pontes é o quarto treinador a sentar-se no banco de suplentes e o ciclo do projeto desportivo que parecia ter Keizer como comandante parece ter terminado. A reforçar o período menos bom dos ‘leões’ esteve o mercado de transferências de verão, sobretudo as últimas horas. Em poucos dias, o Sporting vende três titulares e apesar de conseguir manter Bruno Fernandes, nenhum dos três reforços conseguidos à última hora parece convencer a massa associativa.

“Aproximação não é má”
Luís Miguel Henrique, advogado, consultor e comentador do programa ‘Jogo Económico’, reage à contestação a Frederico Varandas realçando que “não se pode ficar refém de uma mensagem populista como aquela que Bruno de Carvalho construiu quando identificou dois ou três inimigos comuns”. Na perspetiva das relações a manter com o ‘super-agente’, Luís Miguel Henrique acredita que “um clube como o Sporting, com alguma fragilidade, tem que ter a criatividade, resiliência e inteligência para poder usar (não ser apenas usado) a parceria com a Gestifute e Jorge Mendes”. A inevitabilidade de se relacionar com uma empresa como a Gestifute passa pela “influência de Jorge Mendes no mercado não só porque coloca jogadores mas também ajuda a colocar atletas dos clubes que querem movimentar jogadores e esse ‘jogo’ tem que ser feito com equilíbrio”. O advogado e consultor recorda que, nesta relação com Jorge Mendes, tanto Pinto da Costa como Luís Filipe Vieira já “apanharam alguns ‘barretes’” e que a diferença está na forma como os dois dirigentes reagiram a esses negócios: “percebemos que o relacionamento de Jorge Mendes com o SL Benfica é mais frutuoso do que com o FC Porto”, realça.

E como pode o Sporting tirar o melhor partido desta relação? “Sendo inteligente, tendo a capacidade de resistir quando houver negócios menos positivos e não me parece que esta aproximação à Gestifute e a Jorge Mendes seja má, bem pelo contrário. O Sporting não se pode dar ao luxo de perder oportunidade de ter parceiros e parcerias destas”, defende o comentador do ‘Jogo Económico’.

“Varandas cometeu erros”
Para o jornalista João Marcelino, parceiro de comentário de Luís Miguel Henrique no ‘Jogo Económico’, Frederico Varandas “cometeu erros”. E que lapsos foram esses? “O Sporting é um clube com grandes dificuldades financeiras e o atual presidente do clube desvalorizou a resolução desses problemas durante a campanha eleitoral”, defende o jornalista que realça que Varandas “não tinha essas soluções”. Quanto aos parceiros, o jornalista não vê qualquer problema na parceria com Jorge Mendes: “A questão é se o clube é saber se o Sporting é comandado de dentro para fora ou o contrário. Quero acreditar que a política desportiva é ditada pelo seu presidente e se assim for, não há mal nenhum em trabalhar com quem quer que seja”. O comentador acredita que Jorge Mendes “foi responsável por algumas coisas boas que aconteceram ao Sporting já que o clube conseguiu fazer algum encaixe financeiro”. Mas deixa o alerta: “nenhum clube deve ficar refém de uma determinada relação”.

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