União Europeia com os olhos postos no Kosovo (com áudio)

O Kosovo organiza eleições locais este domingo, naquele que será mais um teste à forma como o país e o seu vizinho, a Sérvia, estão a entender-se. Todos os indicadores apontam para o desastre.

União Europeia com os olhos postos no Kosovo (com áudio)
Imagem Kosovo Reuters

O Kosovo terá eleições locais este domingo – naquele que será o primeiro ato eleitoral depois dos substanciais esforços da União Europeia para convencer o país e a Sérvia a entenderem-se para ultrapassarem as suas divergências. Mas, a dois dias do ato eleitoral, tudo aponta para que a envolvente não possa ser mais negativa. Não tanto pelo que se passará na generalidade do país, mas mais particularmente porque a União Europeia (e os Estados Unidos) observam atentamente o que acontecerá nas províncias onde a maioria da população é sérvia.

É esse o problema e é aí que o desastre está previsto: tudo indica que os líderes da Lista Sérvia – o maior partido dos sérvios no Kosovo – vão optar por boicotar as eleições. Isso mesmo foi reafirmado há precisamente um mês – na sequência da renúncia em massa, em novembro de 2022, de todos os sérvios que assumiam lugares na administração local kosovar.

Segundo as informações mais recentes, Aleksandar Jablanovic, candidato do Partido dos Sérvios do Kosovo a prefeito do município de Leposavic, desistiu da disputa apenas três dias antes das eleições. Dez candidatos permaneceram na disputa, entre eles apenas um da comunidade sérvia.

As eleições estavam marcadas para 18 de dezembro passado, mas devido ao bloqueio de estradas e passagens de fronteira no norte do Kosovo, a comunidade internacional pediu o seu adiamento. Entretanto, o Comissário Josep Borrell mas principalmente os governo francês e alemão tudo fizeram para que os dois países chegassem a um entendimento. Mas aparentemente pouca coisa mudou. Até porque, convém recordar, o plano europeu foi (mais ou menos) aceite pelos dois países, mas nenhum dos seus líderes aceitou colocar a sua assinatura no documento. Desde aí, a União passou a prever o pior.

Entretanto, já esta semana, o Kosovo voltou a queixar-se de que o governo sérvio regressou aos seus esforços para manter o país afastado das organizações internacional – nomeadamente no Conselho da Europa. Ou seja, a ‘chantagem’ da União Europeia não está a dar qualquer resultado: o bloco dos 27 anunciou que a Sérvia e o Kosovo não entrariam na União Europeia enquanto não resolvesse os seus desentendimentos regionais. Mas, para já, nada.

O partido sérvio, que conta com o apoio oficial de Belgrado, disse que manterá a sua posição até que duas condições sejam cumpridas: a formação da Associação de Municípios de maioria sérvia e a retirada de todas as unidades especiais militares ou militarizadas do norte de Kosovo.

“Isso deixa claro que Pristina e a sua Comissão Eleitoral Central estão a tentar organizar eleições unilateralmente no norte de Kosovo e Metohija sem respeitar os interesses legítimos do povo sérvio e contra a vontade desses cidadãos”, disse a Lista Sérvia, citada pela Radio Slobodna.

A decisão da lista sérvia ocorre dias depois de o presidente sérvio Aleksander Vucic e o primeiro-ministro albanês Albin Kurti se reunirem com autoridades da União em Ohrid, Macedónia do Norte, para debaterem o acordo em cima da mesa.

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