Um quarteirão de luxo no centro de Lisboa, que vale 125 milhões

É o último grande espaço disponível no centro da capital e está já em obra. São quase 20 mil metros quadrados. Serão construídos 136 apartamentos e, ainda, serviços. Numa zona de premium.

Um quarteirão de luxo no centro de Lisboa, que vale 125 milhões
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O quarteirão da Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, que está há três décadas representado por edifícios devolutos, fachadas degradadas e um processo urbanístico bloqueado está em obras. Finalmente.
É o último espaço nobre de grande dimensão nas principais artérias da cidade. Perto do Marquês de Pombal. É vizinho do Palácio Sottomayor. Avança ali um projeto de reabilitação e construção nova que prevê 136 apartamentos, serviços e um espaço comum ajardinado, de luxo. Com um potencial de 125 milhões de euros.
É um empreendimento promovido pela Azipalace Investimentos Turísticos, dona do grupo hoteleiro SANA, e o projeto foi desenvolvido pelo ateliê de Frederico Valsassina.
“É um marco para Lisboa”, diz ao Jornal Económico (JE) Telmo Azevedo, co-head of residential da JLL Portugal. “Assistimos ao desbloqueio de uma das áreas mais nobres e centrais da cidade, um passo importante para concretizar o potencial de um quarteirão com enorme relevância urbanística e residencial”, acrescenta.
O empreendimento desenvolve-se em cinco blocos e introduz habitação numa das avenidas onde o uso terciário tem dominado. A componente residencial representa 14.487 metros quadrados de área bruta de construção, a que acrescem varandas, e a que se juntam 2.069 metros quadrados para serviços e 540 metros quadrados destinados a spa e áreas de condomínio.
Com base no preço médio de venda de apartamentos novos nas Avenidas Novas, de 8.566 euros por metro quadrado em 2025, o potencial bruto de vendas da componente habitacional ascende a 124,1 milhões de euros.
O cálculo considera a área de construção sem varandas e não inclui os espaços de serviços, as zonas comuns nem eventuais prémios de preço associados à localização, tipologias, acabamentos ou vistas.
O projeto prevê 56 apartamentos T1, outros 51 com tipologia T2, mais 23 T3 e seis T4. Uma aposta maioritária em tipologias pequenas e médias.
Telmo Azevedo diz que a introdução de habitação numa escala de 136 fogos altera a lógica de utilização diária desta zona. “A introdução de uma componente residencial de grande escala neste eixo nevrálgico não só responde a uma clara necessidade do mercado, como devolve a vivência quotidiana a uma zona fulcral da capital”, diz. “Representa um passo decisivo na sua regeneração e valorização”, aponta.
A componente comercial será também relevante. A pedido do JE, a consultora JLL estima rendas pedidas entre 30 e 40 euros por metro quadrado por mês para lojas entre 400 e 600 metros quadrados na Avenida Fontes Pereira de Melo, no primeiro trimestre de 2026. Aplicando esse intervalo aos 2.069 metros quadrados de serviços previstos, o potencial anual de renda situa-se entre cerca de 745 mil euros e 994 mil euros.

Recuperação desbloqueia
Três décadas depois, o avanço do projeto resulta da resolução de um impasse. O desbloqueio foi possível através de uma solução alinhada com o Plano Diretor Municipal, “assente na reabilitação urbana dos edifícios existentes e na construção de dois novos edifícios destinados a habitação e serviços”, diz ao JE fonte oficial da Câmara Municipal de Lisboa.
A autarquia enquadra o empreendimento na política municipal de reabilitação urbana. Afastou-se uma solução de demolição integral e serão preservadas as fachadas dos edifícios identificadas como património municipal. “Apesar do estado de degradação, as fachadas dos edifícios, que estão identificadas como património municipal, serão preservadas na sua estrutura e composição original”, explica a mesma fonte.
O projeto prevê ainda a reconstrução das coberturas, respeitando a volumetria original dos edifícios, e a valorização das fachadas voltadas para o interior do quarteirão. A preservação das frentes urbanas é uma condição relevante numa avenida cuja imagem foi construída por edifícios de rendimento, sedes empresariais e imóveis de escritórios, mas onde a degradação de alguns conjuntos criou uma descontinuidade visível no tecido urbano.

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