Lisboa recebe, no próximo dia 11 de abril, o Encontro Nacional do Pacto Climático Europeu de 2026, um momento de reflexão e mobilização que reunirá dezenas de embaixadores portugueses empenhados na ação climática. Entre debates e dinâmicas participativas, destacam-se a apresentação do livro “Um Mundo sem Políticos”, de Pedro Macedo, e um workshop dedicado ao poder do storytelling na transformação social, conduzido por Joana Guerra Tadeu.
No centro da discussão estará uma ideia provocadora: o atual modelo político pode não estar à altura dos desafios climáticos. No seu novo livro, Pedro Macedo defende que o combate eficaz às alterações climáticas exige uma transformação profunda da governação, propondo uma transição progressiva da democracia representativa para modelos mais diretos, participativos e distribuídos. A obra será apresentada às 15h30, no SOHO Club, em Lisboa, integrada na programação do encontro.
Investigador na área da governança regenerativa e com um percurso de três décadas ligado à ação climática e participação cívica, o autor sustenta que o problema não reside na falta de soluções ou conhecimento, mas sim na incapacidade do sistema político de agir com a urgência e escala necessárias. “Não podemos deixar a política apenas nas mãos dos políticos, é demasiado bela e importante”, escreve, defendendo um maior envolvimento dos cidadãos nos processos de decisão e uma descentralização efetiva do poder.
A par da apresentação do livro, o encontro contará com um workshop liderado pela jornalista e ativista Joana Guerra Tadeu, fundadora do projeto “Ambientalista Imperfeita”. Sob o tema “A importância do storytelling para a ação climática”, a sessão pretende explorar como as narrativas podem ser ferramentas decisivas para mobilizar, inspirar e gerar परिवर्तन social. A proposta é clara: comunicar melhor pode significar agir melhor.
Ao longo do dia, os embaixadores do Pacto Climático Europeu serão desafiados a canalizar criatividade e energia para impulsionar novas iniciativas, reforçando o papel das comunidades na resposta à crise climática. Num contexto em que os desafios se tornam cada vez mais complexos e interligados, a aposta passa por construir soluções colaborativas, sustentadas numa cidadania ativa e informada.
Mais do que um evento, este encontro assume-se como um espaço de co-criação de respostas para 2026, num momento em que, como alerta Pedro Macedo, o risco de colapso ecológico e social deixou de ser uma hipótese distante para se tornar um processo em curso. A questão que fica é se haverá tempo — e vontade — para reinventar a política antes que seja tarde demais.