Trump e Ron DeSantis: ‘Amar-te-ei até te matar’

A corrida às primárias republicanas para as próximas eleições presidenciais, em novembro de 2024, ainda não começou, mas o ex-presidente não está para perder tempo. O seu mais direto adversário interno e uma espécie de ex-delfim, é o alvo a abater.

Trump e Ron DeSantis: ‘Amar-te-ei até te matar’
Ron DeSantis

O filme de Lawrence Kasdan ‘Amar-te-ei até te matar’, uma comédia, pode bem servir para caraterizar as relações entre Donald Trump e o seu antigo delfim Ron DeSantis: estrela mais alta da ‘constelação Trump’, o também governador do Estado da Flórida é agora o alvo preferido da barragem de insultos e diatribes lançadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos. Tudo porque o delfim decidiu em determinada altura assumir-se como candidato a candidato à presidência do país em 2024, tentando assim usurpar o lugar que, pensava Trump, lhe estaria reservado sem qualquer concorrência de monta.

Ora, desde que as sondagens indicam que as candidaturas de ambos evoluem com intensões de voto muito próximas, Trump decidiu, dizem os jornais norte-americanos, que DeSantiss é o próximo alvo a abater.

No meio de insultos e ‘gozação’ que ganharam a força de manchete, Donald Trump está a adotar uma estratégia surpreendentemente pesada para prejudicar o seu rival republicano mais próximo antes do início da corrida presidencial, refere a agência Reuters.

Cerca de 40% dos ataques de Trump ao governador da Flórida têm como alvo questões sociais adotadas naquele Estado, como os programa de previdência para os mais velhos e o Medicare. Analistas citados pela agência notam uma alteração da postura de Trump face à candidatura à presidência em 2016, quando ganhou a indicação republicana com táticas caóticas baseadas em insultos pessoais dirigidos aos seus oponentes. O problema é que DeSantis é o primeiro oponente que Trump tem de ultrapassar para chegar onde quer.

Diz a Reuters que, desde que Trump anunciou a sua candidatura à Casa Branca (a 15 de novembro passado), lançou pelo menos 242 ataques contra rivais declarados e potenciais para a indicação do partido, a maior parte delas na sua rede social Truth Social, mas também em mensagens de e-mail, nos discursos públicos, em entrevistas e em comunicados de imprensa.

Ora, daqueles 242, pelo menos 216 (90%) foram dirigida contra DeSantis, que ainda não declarou sua candidatura (deve fazê-lo em junho). Ao contrário do que podia supor-se, a estratégia de Trump não é a de acusar DeSantis de gastar dinheiro na área social, mas precisamente o contrário: “Ao contrário de Ron DeSanctis, sempre protegerei a Previdência Social e o Medicare para os nossos idosos”, disse, para surpresa de muitos. Recorde-se que o Medicare foi um dos programas dos democratas (de Obama) mais ‘bombardeados’ pelos republicanos.

Embora DeSantis e os líderes republicanos do Congresso tenham dito que os programas deveriam ser esquecidos nas negociações sobre o limite da dívida com a Casa Branca, Trump decidiu atacar pelo lado que menos se podia esperar – a apresentou-se como um acérrimo defensor da economia social. Não é mal visto: segundo a Reuters, atualmente, muitos eleitores republicanos opõem-se à reforma ou desaparecimento da Previdência Social e do Medicare porque dependem dos programas para acederem aos cuidados de saúde.

DeSantis não se tem defendido, mas não é possível que continue impávido face a Trump quando (e se) apresentar a sua própria candidatura às primárias republicanas. Até porque o governador da Flórida tem um longo caminho a percorrer: as últimas sondagens indicam que Trump segue à frente de DeSantis por uma margem entre os 25 e os 35 pontos percentuais.

De qualquer modo, a estratégia de Trump não é inédita. Em 2016, quando tentava ganhar as primárias, o futuro presidente ‘dizimou’ os seus mais diretos adversários: Ted Cruz, o senador republicano do Texas, era ‘Lyin ‘Ted’ (mentiroso), Jeb Bush (irmão do ex-presidente George Bush) era o ‘low energy’ (fraca energia) e o senador da Flórida Marco Rubio era o ‘pequeno Marco’.

Mas desta vez está mais ousado. Sobre DeSantis, já disse que é um elitista, que precisa de um “transplante de personalidade” e passou a tratá-lo por Ron DeSanctimonious (Ron tímido). E a corrida às primárias republicanas ainda nem sequer começou.

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