Trade Republic abre em Portugal e já tem 200 mil clientes

O Trade Republic recebeu a luz verde do Banco de Portugal para operar como sucursal e lançou uma conta-corrente com IBAN português (PT50). “Já somos um banco em Portugal”, diz Pablo López.

Trade Republic abre em Portugal e já tem 200 mil clientes
Pablo López Gil-Albarellos_Country Manager Trade Republic_Espanha e Portugal_2

A alemã Trade Republic está definitivamente a seguir os passos da Revolut. O Regional Manager para a Península Ibérica e Grécia, Pablo López, revelou ao Jornal Económico que a fintech acaba de ter autorização do regulador para ser banco em Portugal e já tem 200 mil clientes. Ou seja, a Trade Republic já está nos telemóveis de 200 mil portugueses, e quer continuar a crescer até se tornar o banco número um dos portugueses.

“A Revolut tem dois milhões de clientes em Portugal e creio que está no top 3 dos maiores bancos em Portugal. A Trade Republic está há muito menos tempo no mercado, mas estamos a crescer a um ritmo mais rápido, pelo que queremos, em três ou quatro anos, chegar a ser um dos cinco bancos com mais clientes em Portugal”, afirmou ao JE.

O crescimento em Espanha, após o lançamento do IBAN local, serve de referência para esta ambição.

Com mais de 2,2 milhões de clientes na Península Ibérica, a empresa quer deixar de ser uma mera plataforma secundária face à banca tradicional ou a outros neobancos, como a Revolut, e pretende posicionar-se como o “banco número um” dos utilizadores nos próximos cinco anos.

A Trade Republic admite querer fechar o ano com 300 mil clientes. A intenção da fintech alemã, com sede em Berlim, é duplicar o número de clientes em 12 meses, ou seja, atingir os 400 mil clientes em Portugal até julho do próximo ano.

A fintech alemã, que até agora operava em Portugal essencialmente como uma aplicação de corretagem (investimento em ações, ETF e obrigações), obteve a aprovação do Banco de Portugal para estabelecer uma sucursal no país e avança com o lançamento de uma conta-corrente com IBAN português (PT50), transformando a plataforma num ecossistema financeiro completo. A Trade Republic dá assim um passo decisivo na sua estratégia de crescimento no mercado português.

“Lançamos uma conta-corrente através da qual os portugueses poderão pagar as suas faturas, receber salários e usar o seu cartão, através de uma conta em Portugal”, referiu Pablo López.

“A partir de agora já somos um banco em Portugal”, disse Pablo López ao Jornal Económico.

O facto de o banco alemão passar a disponibilizar um IBAN português permite ainda simplificar o reporte fiscal junto da AT – Autoridade Tributária e Aduaneira.

Pablo López Gil-Albarellos, responsável regional para Espanha, Portugal e Grécia, explicou ainda que a abertura da sucursal não implicará um grande aumento do número de colaboradores em Portugal, uma vez que o contacto com os clientes continuará a ser assegurado por via digital e telefónica.

A par do IBAN nacional, a Trade Republic traz para o mercado uma reconfiguração da remuneração da liquidez. A plataforma passa a oferecer uma taxa de juro de 3% para novos clientes, aplicável à conta à ordem remunerada, mas com uma mudança substancial face ao modelo anterior: deixam de existir tetos máximos para o saldo remunerado.

“Nós pagamos 3% por todo o dinheiro que está na conta da Trade Republic, e o dinheiro está seguro”, assegura o country manager para Portugal e Espanha.

“Até agora, os juros que pagávamos estavam limitados a saldos de 50 mil euros. Agora, o juro é aplicado sem qualquer limite”, esclarece o gestor, acrescentando que “se um cliente tiver um, dois ou quatro milhões de euros na conta, receberá os juros integrais sobre a totalidade do seu dinheiro”.

Pablo López insiste na distinção jurídica deste produto face aos tradicionais produtos de poupança, sublinhando que não se trata de um depósito, mas sim de uma conta-corrente remunerada. “Não é um depósito, não há nenhum tipo de condição”, afirma. “O dinheiro não fica bloqueado. É uma conta-corrente onde se pode colocar ou levantar dinheiro a qualquer momento, fazer transferências imediatas em segundos para outro banco português ou efetuar pagamentos com o cartão”, explica.

A ajudar à atratividade da Trade Republic está o facto de Portugal ter uma das remunerações dos depósitos mais baixas da União Europeia.

Os juros da conta remunerada são calculados diariamente com base no saldo de fecho e creditados automaticamente na conta dos clientes no primeiro dia de cada mês.

Por outro lado, num país com uma forte cultura de viagens e onde soluções como a Revolut ganharam terreno graças às taxas de câmbio, a Trade Republic quer conquistar uma fatia desse mercado através do seu cartão de débito.

“As comissões sobre operações em moeda estrangeira são uma fonte de receita muito importante para a banca tradicional, mas nós não as cobramos”, afirmou.

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