Tecnológicas portuguesas podem ser ‘players’ globais

De Silicon Valley para Lisboa, o último convidado do Innov.Club é um veterano do meio que se define como um “arruaceiro” da Inteligência Artificial. Partilhou uma visão humanista das grandes transformações tecnológicas e deixou dois avisos: a IA pode sair mais cara do que o esperado e o factor humano nunca deve ser descurado

Tecnológicas portuguesas podem ser ‘players’ globais
Tony Fernandes

O luso-americano Tony Fernandes foi o convidado mais recente do Innov.Club, uma colaboração entre a Beta-i, uma consultora de inovação colaborativa e a sociedade de advogados Vieira de Almeida, que conta com o JE como parceiro.

Está surpreendido com aquilo que já foi apelidado de ‘histeria’ em torno da IA?
Surpreendentemente, não estou. Esta é uma de muitas histerias que temos vivido no que diz respeito ao desenvolvimento da tecnologia. Lembro-me quando todos consideraram que tinham que ter um site na Internet e aconteceu o crash do ‘dotcom’ e todos queriam entrar nesta espécie de corrida ao ouro. Houve vencedores e perdedores mas é importante perceber que todos os falhanços ao longo do caminho, como a história de que as tecnológicas asseguravam que todos iriam ter televisão 3D, os óculos virtuais da Google ou até os escritórios sem utilização de papel de há quarenta anos (continuo a ter papel no meu escritório). No entanto, há algo que me surpreende que é o nível de ignorância que muitas empresas têm relativamente ao que a IA significa e o que é verdadeiramente. Muitas companhias falam disto mas não fazem ideia do que estão a falar.

Mas, ao mesmo tempo, todos querem acompanhar o que aí vem.
Exato, todos têm a sensação de que não podem “perder o comboio”. Todos alegam que estão a usar a IA mas a realidade daquilo que a IA verdadeiramente é está connosco há várias décadas. Nunca penetrou verdadeiramente naquilo que é o nosso dia a dia até o ChatGPT chegar e criou um nível de histeria mas de certa forma, é mais benigno do que se pensa. Houve quem antevisse o fim da civilização ou que todos iríamos perder os nossos empregos. As empresas ainda não perceberam que todos estão a usar os mesmos processos de IA; portanto, onde é que fica o fator competitividade? Ainda ninguém percebeu as reais implicações desta situação. Além disso, há que contar com o facto dos softwares, de uma forma geral, ainda não serem totalmente confiáveis. É o que é: este tipo de programas têm bugs, crasham, tudo aquilo que sabemos.

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