O conflito no Médio Oriente continuou a marcar a semana nos mercados, desta vez com um escalar do conflito, tendo sido atacadas infraestruturas críticas para o fornecimento energético global.
O centro das atenções desta semana voltou a ser o Estreito de Ormuz e a escalda dos preços do petróleo, que já levaram o Brent a atingir os 113 dólares por barril.
Segundo Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, “a situação no Médio Oriente continua a deteriorar-se e o cenário de uma saída rápida e controlada dos Estados Unidos do conflito parece cada vez menos provável. Este enquadramento mantém a pressão sobre os preços da energia e reforça a incerteza quanto ao impacto económico global. O risco de recessão está a aumentar, sobretudo se o choque na oferta de energia persistir”.
“Apesar da tensão, os mercados reagiram positivamente às declarações de Benjamin Netanyahu, que afirmou que a operação decorre como planeado e que grande parte da capacidade de mísseis iraniana foi destruída. Indicou ainda sinais de fragmentação interna no regime iraniano, sugerindo possíveis conflitos entre fações”, referem os analistas da XTB.
Do lado norte-americano, os mercados encerraram em baixa, pela quarta semana consecutiva. “Os preços elevados da energia, decorrentes do conflito no Médio Oriente, e as perspetivas cautelosas da Reserva Federal (Fed) limitaram o impulso de alta”, apontam os analistas.
“As ações recuperaram parte das perdas registadas no final da semana, à medida que as tensões geopolíticas diminuíram ligeiramente, com o recuo do petróleo e o surgimento de sinais diplomáticos. No entanto, o panorama geral continua a ser de cautela, com os principais índices a serem negociados abaixo dos máximos recentes, impulsionados por preocupações geopolíticas e pela incerteza quanto à trajetória das taxas de juro”, referem.
Os investidores ficaram a conhecer a decisão da Fed sobre as taxas de juro na quarta-feira. Durante o seu discurso, Jerome Powell, deixou claras as suas incertezas sobre o impacto que este conflito poderá ter na economia do país, e referiu só estar previsto um corte nas taxas durante o ano.
Do lado europeu, o Banco Central Europeu (BCE) tomou a mesma decisão que a Fed, de deixar as taxas inalteradas, mas a questão na Europa é quando é que o banco volta a aumentar as taxas.
“O BCE manteve a taxa de depósito inalterada nos 2%, tal como esperado, mas as projeções atualizadas do pessoal e a análise de cenários apresentaram revisões significativas em alta para a inflação”, afirmam, já o “Banco de Inglaterra manteve as taxas inalteradas nos 3,75%, tal como esperado, mas o tom geral foi mais hawkish do que o esperado”.