Taxa fixa ou taxa variável no crédito à habitação? Não é uma pergunta simples de responder porque envolve variáveis desconhecidas e subjetivas, nomeadamente prever as decisões do BCE, ter perspetivas sobre a evolução da economia e do sistema financeiro, e, não menos importante, o perfil de risco, fluxo de rendimentos, capacidade para absorver choques e até a probabilidade de amortização antecipada do crédito. A pergunta é legítima, mas a resposta tenderá a ser especulativa e potencialmente desadequada.
Em Portugal, predomina a utilização da taxa variável. À primeira vista, a taxa fixa deveria ser a primeira escolha das famílias pela sua previsibilidade – os juros e amortizações seriam conhecidos desde o início do crédito e não haveria volatilidade nas prestações. Confesso que, expectativas à parte, tenho preferência pela taxa variável.
Desde logo porque é normalmente mais transparente no cálculo – sabemos que é Euribor + spread. Na taxa fixa, pode haver spreads encapotados. Por outro lado, a taxa variável tende, em média, a ser mais baixa porque não incorpora o prémio de risco temporal da taxa fixa. A exceção é o que se tem passado nos últimos dois anos, em que foi possível ter taxas fixas abaixo da Euribor, mas será que passará a ser a regra?
Dificilmente. E não podemos esquecer que, de acordo com as regras em vigor, a penalização para amortização antecipada é de 2% em créditos a taxa fixa e 0,5% a taxa variável, esta última suspensa este ano. Como a maioria dos créditos à habitação é amortizado antecipadamente, este é um detalhe relevante.
Não esperava que o BCE subisse tanto os juros neste ciclo de aperto e continuo a discordar das subidas mais recentes. No entanto, o fim da alta dos juros parece estar próximo. Para quem receie que a inflação e juros permanecerão altos, talvez a taxa mista (fixa durante os primeiros anos e variável a seguir) seja uma alternativa avisada. Porém, com todas as nuances enumeradas acima, a taxa variável tende a ser a alternativa mais vantajosa, até porque podemos, a todo o momento, fixar a taxa e o contrário já não é verdade.