Tarifas: Sindicatos europeus pedem à UE que tome medidas imediatas

Em comunicado, a Confederação Europeia de Sindicatos (ETUC, em inglês) ,que representa 45 milhões de afiliados de 93 organizações sindicais de 41 países, aponta que a ameaça de tarifas americanas ainda mais elevada sobre todas as exportações “deve ser considerada uma situação de emergência” pelas instituições da UE.

Tarifas: Sindicatos europeus pedem à UE que tome medidas imediatas
epa12190383 US President Donald Trump (2-L) with US Secretary of Defense Pete Hegseth (R), US Vice President JD Vance (L) and US Secretary of State Marco Rubio (2-R) delivers an address to the nation following US strikes on Iran's nuclear facilities, at the White House in Washington, DC, USA, 21 June 2025. EPA/Carlos Barria / POOL

A Confederação Europeia de Sindicatos (ETUC, em inglês) apelou hoje à UE para tomar medidas “decisivas e imediatas” para proteger os postos de trabalho e a produção na Europa, depois da ameaça de tarifas de 30% pelos EUA.

Em comunicado, a confederação sindical que representa 45 milhões de afiliados de 93 organizações sindicais de 41 países, aponta que a ameaça de tarifas americanas ainda mais elevada sobre todas as exportações “deve ser considerada uma situação de emergência” pelas instituições da UE.

A confederação sindical recordou a análise do Instituto Sindical Europeu, que refere que as tarifas de 20% aplicadas sobre todos os produtos colocariam em risco 700.000 postos de trabalho na UE, isto sem incluir as tarifas mais elevadas aplicadas às indústrias automóvel, do aço e do alumínio.

“A ETUC insta a Comissão Europeia a intervir urgentemente com medidas concreta e com visão de futuro para salvaguardar o emprego e os rendimentos”, refere.

A confederação mostrou-se disponível para trabalhar com as instituições europeias, governos e empregadores para desenhar uma estratégia industrial resiliente e inclusiva e “que beneficie todos os europeus”.

Entre as medidas propostas estão mecanismos de resposta à crise para apoiar empresas e trabalhadores, como uma SURE 2.0, ou a suspensão das regras de governação económica da UE, para que os Estados possam adotar políticas económicas que defendam as capacidades industriais e produtivas essenciais.

Também o reforço da procura interna da UE, em particular com o aumento dos salários e da promoção da negociação coletiva ou a preparação de medidas para controlo de especulação e limite de aumento dos produtos básicos estão entre as medidas propostas.

A ETUC sugere ainda que o Banco Central Europeu (BCE) deve evitar aumentar as taxas de juro para responder a aumentos de preços causados pelo aumento das tarifas, mas sim reduzi-las.

Citada no documento, a secretária-geral da ETUC, Esther Lynch, defendeu que “não se pode obrigar os trabalhadores europeus a pagar o preço das disputas comerciais globais”.

“É fundamental que a UE tome ações imediatas para dar uma resposta industrial forte e coordenada e ferramentas que protejam os postos de trabalho e a produção na Europa”, apontou.

“A UE não deve deixar-se intimidar, mas deve afirmar a sua autonomia, defender as suas regras e normas e defender os trabalhadores europeus”, sublinhou a responsável.

No sábado, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que vai impor tarifas de 30% sobre produtos da UE a partir de 01 de agosto, numa carta endereçada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Reagindo a tal anúncio, a líder do executivo comunitário afirmou que Bruxelas continua disposta a negociar com os EUA para chegar a um acordo antes de 01 de agosto.

Donald Trump justificou a decisão com o excedente comercial da UE com os Estados Unidos, que atingiu 50 mil milhões de euros em 2024.

As tensões comerciais entre Bruxelas e Washington devem-se aos anúncios do Presidente Donald Trump de imposição de taxas à UE, que começaram por ser de 25% para o aço, passando a 50% em junho, o alumínio e os automóveis europeus, tendo sido depois impostas tarifas recíprocas ao bloco comunitário, suspensas e agora fixadas em 30% após um período de negociações.

A UE e os Estados Unidos têm o maior volume de comércio entre parceiros, de 1,68 biliões de euros, com o bloco europeu a registar um excedente nas trocas de bens de 198 mil milhões de euros e um défice de 148 mil milhões de euros na de serviços.

Relacionado

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Ruben Pires3 Set
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a União Europeia detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou.