Tarifas nos medicamentos? “Seria extraordinariamente impopular”, afirma Guy Villax

O presidente do HCP, considera impossível de prever o impacto das políticas comerciais de Donald Trump, mas adianta ao Conversa Capital da Antena 1 e Jornal de Negócios, que se os custos dos medicamentos subissem muito, deixariam de estar cobertos pelo Medicaid, o que teria graves consequências ao nível da população.

Tarifas nos medicamentos? “Seria extraordinariamente impopular”, afirma Guy Villax
Guy Villax, CEO da Hovione

As exportações da indústria farmacêutica portuguesa para os Estados Unidos continuam a crescer e o Health Cluster Portugal (HCP) não acredita que a administração norte americana avance com tarifas para o sector devido às consequências. É que, salienta Guy Villax, presidente do HCP, os Estados Unidos não produzem nem 5% dos genéricos que consomem.

Um aumento do preço seria muito impopular, explica o empresário em entrevista ao programa Conversa Capital da Antena 1 e Jornal de Negócios: “Os genéricos são os medicamentos prescritos em cerca de 80% das receitas médicas nos EUA, pelo que se se esses custos sobem 20%, deixam automaticamente de estar cobertos pelo Medicaid (programa social de assistência à saúde) e no dia em que isso acontecer há uma revolução. Portanto, a margem de manobra que Trump tem desse lado é mínima”.

O presidente do HCP considera que as empresas portuguesas que exportam para os Estados Unidos podem ser afetadas, ou seja, têm alguma “fragilidade”, mas não há muito que possa fazer a título preventivo, sobretudo as empresas que têm como vantagem competitiva o baixo custo e que apresentam “alguma fragilidade” num cenário de tarifas.

As exportações para os Estados Unidos têm tido “crescimentos brutais”, na ordem dos 25% ao ano, em parte pela indústria nacional e noutra parte devido a reexportação das multinacionais, refere ainda.

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