Taiwan anunciou hoje que não vai participar, pela primeira vez, numa reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), nos Camarões, contestando a forma como foi designado pelas autoridades do país anfitrião em documentos de visto.
O ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan indicou ter apresentado um “forte protesto” junto dos Camarões, após o país ter referido a ilha como “Taiwan, província da China” nos documentos entregues à delegação antes da viagem para a reunião, prevista entre 26 e 29 de março, em Yaoundé.
Posteriormente, os Camarões concederam uma “isenção de visto” à delegação, mas o novo documento não indicava a nacionalidade dos participantes, continha erros ortográficos em alguns nomes em inglês e identificava a maioria dos membros como sendo mulheres, segundo um comunicado do ministério taiwanês.
Para Taipé, estas falhas demonstram que o país anfitrião “não tinha qualquer intenção sincera de resolver o problema”.
A China considera Taiwan parte do seu território e tem procurado limitar a presença internacional da ilha, bloqueando ou dificultando a sua participação em fóruns multilaterais e opondo-se ao uso das designações “Taiwan” ou “República da China”.
O Governo taiwanês afirmou que os membros da delegação poderiam enfrentar obstáculos à entrada nos Camarões com documentos contendo informações incorretas e que, para preservar a “dignidade nacional”, decidiu não participar no encontro.
O ministério reiterou ainda que Taiwan aderiu à OMC como “território aduaneiro distinto”, não subordinado a qualquer outro membro, defendendo que o seu direito de participação em igualdade não deve ser violado.
Taiwan aderiu à organização em 2002 sob a designação “Território Aduaneiro Distinto de Taiwan, Penghu, Kinmen e Matsu (Taipé Chinês)”.
A conferência ministerial da OMC, o mais alto órgão de decisão da organização, realiza-se de dois em dois anos e decorrerá de 26 a 29 de março de 2026, em Yaoundé.