Tailândia: Vencedor das eleições de maio suspenso do parlamento

Pita Limjaroenrat tem mais um obstáculo à nomeação para primeiro-ministro, depois da oposição dos senadores nomeados pela atual liderança militar, tendo agora sido suspenso do parlamento por uma suposta violação da lei eleitoral. A agenda pró-democracia e de reforma das leis de lesa-majestade fica assim mais complicada.

Tailândia: Vencedor das eleições de maio suspenso do parlamento
Banguecoque, Tailândia

Novo obstáculo para Pita Limjaroenrat e o seu partido, o Seguir em Frente, depois da vitória nas eleições legislativas tailandesas de maio: o Tribunal Constitucional suspendeu o político de 42 anos do parlamento na sequência de uma queixa relativa a uma alegada violação da lei eleitoral do país. O candidato pró-democracia vê assim o caminho para a eleição como primeiro-ministro ainda mais difícil, depois de já ter perdido a primeira nomeação na semana passada, apesar de concorrer sem oposição.

A queixa era já conhecida, reportando a uma série de ações de um grupo de comunicação social (entretanto falido) detidas por Limjaroenrat, o que constituiria uma violação das leis eleitorais tailandesas.

O caminho para a nomeação para primeiro-ministro iria ser complicado, dada a falta de apoio na câmara alta do parlamento, o Senado, cujos membros foram nomeados pelo atual governo, liderado pelos militares do país depois do golpe de Estado de 2014. Na semana passada, e apesar de ter garantido 312 assentos parlamentares, Limjaroenrat recebeu apenas 324 votos a favor, ficando a 51 dos necessários 375.

A suspensão não impede o democrata com educação nos EUA de se voltar a candidatar à nomeação para primeiro-ministro no plenário desta quinta-feira, mas é mais um obstáculo claro depois das tentativas de bloqueio das fações mais conservadoras do país, muito ligadas à monarquia e às forças armadas.

Um dos principais motivos para a oposição a Limjaroenrat é a promessa do líder do Seguir em Frente de reformar as pesadas leis de lesa-majestade do país, que têm servido para silenciar críticos da liderança real e militar do país, segundo várias organizações não-governamentais. Limjaroenrat prometeu ainda mais liberdade económica para os tailandeses, garantindo que iria agir para desfazer muitos dos monopólios que dominam no país.

“A Tailândia não é a mesma desde 14 de maio. Percorremos meio caminho com a vitória do povo e agora temos mais meio caminho a percorrer”, afirmou Limjaroenrat no debate parlamentar desta quarta-feira após ser anunciada a sua suspensão do organismo. Algumas horas mais tarde, o político de 42 anos lamentou que, “no atual sistema, é claro que conquistar a aprovação popular não é suficiente”, admitindo que a janela para a sua nomeação se possa estar a fechar.

Limjaroenrat deverá tentar conseguir os 375 votos necessários no plenário de quinta-feira, embora, caso volte a ser rejeitado, o segundo partido, o Pheu Thai, deva apresentar um candidato próprio. O Pheu Thai foi a força política que levou os últimos três primeiros-ministros democraticamente eleitos tailandeses ao poder, incluindo antes do golpe de Estado de 2014, que resultou na atual liderança militar.

Relacionado