O Euro Digital terá potencial para ser o motor de competitividade e crescimento, mas apenas se a coragem política acompanhar a aparente ambição tecnológica.
O futuro dos pagamentos em Portugal dificilmente passará por uma escolha absoluta entre o digital e o físico. O mais plausível será, provavelmente, um modelo híbrido, no qual convivem smartphones, cartões, biometria, tokenização e numerário.
Numa entrevista conduzida por Ricardo Santos Ferreira, sub-diretor do Jornal Económico, durante o Fórum Banca 2026, que se realiza esta terça-feira no hotel Ritz, o responsável do Bison Bank afirmou que a instabilidade geopolítica é um fator que deve ser aproveitado por Portugal.
O impacto económico da web3 vai ser enorme transversalmente a toda a economia e é isso que estamos a perder. O atraso escolhido pelo Governo, que coloca a estratégia web3 na gaveta, não é perdoável.
A 4ª Revolução Industrial está a caminho e, desta vez, começou no sector financeiro. Que oportunidades nos esperam com a tokenização dos seus produtos e serviços?
Esta ferramenta de proteção de dados pessoais sensíveis atingiu no ano passado um marco global significativo – permitiu que as empresas que têm comércio eletrónico e que usam tecnologia Visa tivessem cerca de 37 mil milhões de euros de receitas adicionais.
A tokenização é considerada um impulso para transações seguras. O serviço de tokenização da Mastercard foi introduzido em 2014 e, segundo a empresa, já assegura 25% das transações do comércio eletrónico a nível mundial e a sua adoção acelera 50% a cada ano.
Como ninguém está à espera de uma transformação relâmpago da essência do ordenamento jurídico, há que começar simplesmente pelas cláusulas mais simples.
A mudança é silenciosa e pode ser ainda pouco visível, mas está em curso. Governos, empresas e instituições estão a proceder a testes e provas de conceito, pelo que a blockchain promete marcar de forma irreversível o curso da economia e as rotinas da sociedade.
Está na mão dos reguladores fazer aplicar o Pilot DLT com eficácia ainda este ano. Como este é um regulamento aplicado no contexto do passaporte europeu dos serviços financeiros, é possível ganhar vantagens competitivas.
Espero que tenha ficado claro que a tokenização da identidade não carece de custódia para rastrear a identificação dos intervenientes nas transações, incluindo a posse dos ativos. Resta incluir essa tokenização na atual legislação das assinaturas eletrónicas, o que nem sequer é assim tão difícil.
Como a tentação de controlo pode ser enorme, é bom que a discussão pública seja suficientemente lúcida para que as decisões de bom senso sejam tomadas a tempo. Infelizmente, não é isso que está a acontecer.