Ninguém desdenharia que se recuperasse aquela velha ideia de serviço público, que existe para servir o cidadão, e não o contrário. Hoje é quase um sinal de rebeldia pensar que assim possa ser.
O que tem acontecido nos últimos dias na região de Lisboa é uma demonstração do falhanço de todos, especialmente de quem tem poder de decisão, que não esteve à altura da necessidade do serviço público.
Os salários dos médicos portugueses no sector público são baixos, mas acontece o mesmo quase com todas as outras profissões e a todos os níveis. O que singulariza os médicos é o temor reverencial e pacóvio que lhes temos.
O SNS existe porque, durante décadas, os melhores se dedicaram ao serviço público, porque ricos e pobres, passada a porta do hospital, eram iguais e assim eram tratados.
Nos últimos quatro anos, o défice na saúde, atingiu os 2,3 mil milhões de euros. Sem reformas, o SNS tornar-se-á insustentável e, mais triste, inoperacional.