Apesar das críticas recentes do Tribunal de Contas, o ex-ministro da Economia disse ao JE que não existia alternativa à nacionalização da Efacec e que o Estado ainda pode recuperar 420 milhões de euros com a empresa.
Os trabalhadores vão estar concentrados, nos dias em causa, das 08:30 às 10:30 e das 17:00 às 19:00, em frente às instalações da empresa, em S. Mamede Infesta, Matosinhos.
Em comunicado, a Fiequimetal indicou que “suscita uma grande apreensão o anúncio, feito ontem [quarta-feira] pelo Governo, de que ficou concluída a venda, praticamente de mão beijada, da Efacec à Mutares”, que, realçou a organização, é “um fundo de investimento alemão que se dedica à aquisição de médias empresas em situação complexa”.
No que respeita ao envolvimento do Grupo Efacec no universo Banco Português de Fomento, as operações de financiamento garantidas pela Norgarante foram extintas, após reembolso integral da dívida por esta garantida. Ficou assim resolvido o problema de excesso de exposição que a Norgarante tinha na Efacec.
As perdas para os bancos são 29 milhões, para os obrigacionistas 6 milhões. O Estado, através da Parpública, investe 201 milhões de euros, mais 30 milhões para o pagamento de contingências, mas abatendo a libertação de uma garantia bancária de 72 milhões traduz uma exposição líquida do Estado de 159 milhões de euros.
“A Mutares concluiu com sucesso a aquisição da Efacec ao Estado português, como parte do processo de reprivatização iniciado no final de 2022”, indicou, em comunicado.
Este haircut da dívida da Efacec é condição sine qua non para a Mutares SE & CO. KGaA concluir a aquisição de 71,73% da empresa. Pelo que hoje decide-se o futuro da Efacec.
O acordo, revelou uma fonte ao Jornal Económico, situa-se entre os 10% e os 20% de haircut do empréstimo obrigacionista de 58 milhões a cinco anos que foi emitido em 2019 com uma taxa fixa de 4,5%. Este haircut fica muito abaixo da proposta inicial de 50%.
Esta cedência da banca traduz-se numa evolução face à posição inicial em que se recusavam a ter um haircut superior ao dos obrigacionistas e resulta das negociações que têm decorrido com a Parpública e com a sociedade gestora de private equity, Mutares.
A Autoridade da Concorrência tomou uma decisão de "inaplicabilidade na operação de concentração", que tinha sido notificada no passado dia 17 de julho, de compra da Efacec pelos alemães da Mutares.
O anúncio diz que a Mutares SE & Co. KGaA, casa-mãe da Mutares Ibéria, e entidades relacionadas notificam da aquisição do controlo exclusivo da Efacec e entidades relacionadas.
A Mutares propõe injectar 15 milhões de euros na Efacec. O acordo com a banca fica condicionado ao resultado da Assembleia de Obrigacionistas de 7 de agosto.
Associação de investidores critica o corte de 50% na dívida e apela aos obrigacionistas a rejeitarem a proposta na assembleia a 7 de agosto. E também critica os 15 milhões que o fundo pretende injetar na empresa, o "que é manifestamente insuficiente para a viabilizar"
O titular da pasta da Economia disse que já falou com os responsáveis da Mutares sobre os ativos disponíveis, acrescentando que sentiu “um grande alinhamento” no que diz respeito à importância dada à transição energética, a voltar a atrair talento, e a preservar a capacidade tecnológica da empresa.
O PCP vai apresentar na quarta-feira um projeto de resolução para tentar evitar a privatização da Efacec, cuja transação com o fundo Mutares está previsto acontecer no terceiro trimestre de 2023, anunciou hoje no Porto o secretário-geral, Paulo Raimundo.
A DGComp terá dado sinais de que não se irá opor à compra da Efacec pelos alemães da Mutares, o que significa que a proposta “passou no teste de mercado”, sabe o Jornal Económico. Mas ‘haircut’ dos obrigacionistas é tema sensível.
As negociações entre os alemães da Mutares e os credores financeiros da Efacec estão a ser lideradas pela Parpública. A banca está receptiva às condições da Mutares e que passam por um haircut da dívida.