A verdade é que esta não é uma horda de bárbaros que invadiu Lisboa, mas uma escolha coletiva com custos distribuídos de forma desigual. Como portugueses, estamos cada vez mais ausentes da nossa própria cidade.
Em Barcelona, a mensagem foi clara: há limites para o turismo, sob pena de ser tarde demais. Lisboa escolherá aprender com a experiência de cidades irmãs ou esperar para sofrer com os seus erros?
Há tempos, na cidade de Assis, Papa Francisco dinamizou um encontro que juntou cerca de mil jovens para pensar num modelo alternativo de economia, para que esta "não caia como presa do mercado selvagem e da especulação”.
Urge uma mudança do modelo económico em que temos vindo a basear o modo de vida da nossa sociedade, começando por, em linha com os compromissos saídos da COP15, reduzir em pelo menos 500 mil milhões de dólares os subsídios prejudiciais à biodiversidade.
Para que existam hipóteses de convergência com a Europa, é essencial que a sociedade portuguesa supere a mentalidade dos jeitinhos, a vida a crédito, a estatolatria e a complacência em relação à promiscuidade política.
É preciso coragem, criatividade e vontade de romper com modelos e hábitos do passado. É preciso recursos, mas sobretudo prioridades bem definidas no uso dos recursos.
O mundo mudou. Começou com Bandung, mas provavelmente ainda não acabou. A única questão é se conseguiremos mudar em conjunto e para o bem comum da humanidade.