“Privilegiámos muito a rapidez, o que quer dizer que parte das soluções que nós implementámos são soluções não definitivas”, afirmou José Ferrari Careto, presidente executivo da E-Redes, numa audição na Comissão de Ambiente e Energia, requerida pela Iniciativa Liberal, sobre a reposição de energia elétrica após a tempestade Kristin.
Num balanço feito às 8h00 desta sexta-feira, a empresa indicou que na zona mais crítica, devido ao agravamento das condições climatéricas, estavam cerca de 36 mil clientes sem energia, sendo que no total do território continental, havia 45 mil clientes sem energia devido ao surgimento de novas avarias e situações de inundações.
Num balanço com dados atualizados às 16:00, a empresa contabililiza 46 mil clientes por alimentar em todo o território continental, dos quais “cerca de 35 mil clientes na zona da depressão Kristin”.
Leiria é o distrito mais afetado com 26 mil clientes sem energia, seguido de Santarém com seis mil clientes, Castelo Branco com dois mil e Coimbra mil.
Ao fim de 11 dias da tempestade Kristin, e com 20 mil contadores ainda sem energia elétrica, existem "famílias, produtores agrícolas, empresas locais, lares" e "pessoas isoladas e vulneráveis que continuam numa situação de grande fragilidade", denuncia a autarquia leiriense.
Sete dias depois da tempestade, 118 mil clientes continuavam esta terça-feira sem fornecimento de energia, sendo que nas zonas mais críticas as avarias decorrentes da depressão Kristin totalizam 115 mil clientes.
Anteriormente, a E-Redes tinha indicado que registou um aumento do número de novas avarias na rede elétrica, devido ao agravamento das condições atmosféricas durante a madrugada desta segunda-feira. Às 08h00 estavam sem eletricidade 161 mil clientes.
Portugal tem uma menor percentagem de linhas enterradas face a Espanha ou a Itália. Modelo de financiamento é via Orçamento do Estado ou via fatura da eletricidade.
Desde cerca das 10:00 a E-Redes efetuou “uma intervenção no poste de muita alta tensão, obrigando ao corte de eletricidade numa vasta área, afetando todo o concelho das Caldas da Rainha e arredores”. A intervenção decorre “por tempo indeterminado”.
Apesar do esforço contínuo, a E-Redes admite constrangimentos severos. A intermitência das condições atmosféricas e os problemas de mobilidade terrestre estão a atrasar a recuperação da rede elétrica, que se encontra num estado de destruição total em vários pontos do Centro.
Em causa está o abate ilegal de mais de meia centena de sobreiros, entre outras árvores, num terreno particular situado em Oliveira de Azeméis, no distrito de Aveiro, em janeiro de 2023.
O projeto, que se insere no plano de investimentos da E-Redes, empresa do grupo EDP, incluiu a construção de uma subestação e de “um conjunto de 20 quilómetros de linhas” de alta e média tensão em Sines, no distrito de Setúbal, explicou o presidente do conselho de administração da E-Redes, José Ferrari Careto.
Em entrevista à Lusa, José Ferrari Careto, presidente da E-Redes, explicou que a atual estrutura dos contratos, que inclui a distribuição de eletricidade em baixa tensão e a gestão da iluminação pública a um único concedente, tem apresentado um desempenho “eficiente”.
"Às 00h00 estão ligadas parcialmente 424 subestações, 3200MW e alimentados cerca de 6,2 milhões de clientes. Não sendo ainda possível fazer previsões da reposição integral, a E-REDES alerta para eventuais demoras na realização da mesma", refere o operador em comunicado.
“O fornecimento de eletricidade em Portugal está a ser afetado por constrangimentos a montante da rede de distribuição, na rede de muito alta tensão em Espanha. A E-Redes, em articulação com a REN, está a trabalhar na reposição da rede em Portugal, em alinhamento com Espanha”, informou a operadora da rede de distribuição de eletricidade, em comunicado.