A greve que vai decorrer entre os dias 16 e 19 de abril vai contar com a adesão da Ciarga - Argamassas e também da Cimpor - Serviços e da Sacopor. Os trabalhadores das empresa cimenteira exigem aumentos salariais iguais, em percentagem mas também no valor mínimo e subsídios de turno iguais.
A subsidiária, diz a CGTP, tem condições de trabalho e de remuneração, entre outras, que a isolam do que é aplicado na empresa-mãe, a Cimpor. Entram em greve para terem os mesmos direitos.
O objetivo desta greve é defender a proposta sindical do acordo de empresa para este ano, nomeadamente o aumento de 8% dos salários e matérias de expressão pecuniária, um período de 37 horas semanais de trabalho e o alargamento da progressão de carreira de diversas categorias profissionais.
Fontes especializadas no sector ouvidas pelo JE apontam desde logo uma maior facilidade da TCC em aplicar a sua estratégia sem ter no board os antigos parceiros da Oyak.
Controlo exclusivo da Cimpor pelo gigante asiático Taiwan Cement (TCC) vai dar margem ao novo acionista para crescer nos mercados da Europa, África e América do Norte. Mas nem o novo acionista livra a Cimpor da limitação imposta à sua produção pelo elevado preço da tonelada de CO2, Caminho da sustentabilidade acelera com o novo figurino
Na última entrevista como presidente da associação que representa os industriais do cimento (ATIC), Luís Fernandes, da Cimpor, diz que as meta do sector na descarbonização exigem que se comece a queimar uma maior percentagem de resíduos nos fornos, mas para isso têm de estar tratados. Algo que está a ser mal feito em Portugal.
A transação, com o fundo de pensões turco Oyak, envolveu coordenação quer em Portugal quer nas jurisdições africanas onde a Cimpor está presente, designadamente Cabo Verde, Costa do Marfim e Camarões.
O fundo turco apontou que além de colocar à venda a participação da Cimpor, pretende vender uma participação de 20% na Oyak Denizli Cement à Taiwan Cement.
Federação de sindicatos da construção alerta que os trabalhadores da cimenteira "não podem ser usados para a obtenção de resultados e descartados quando se trata de usufruir de benefícios conquistados há décadas".
Dados do INE revelaram um aumento homólogo acima de 20% no primeiro semestre, mas Luís Fernandes, acredita que os preços do cimento só vão continuar a subir caso aconteça "algo imprevisível". Guerra na Ucrânia obrigou a Cimpor a mais que duplicar os preços dos combustíveis e a mais que triplicar os da energia.
A Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM) congratula-se com a revisão salarial do Acordo de Empresa (AE Cimpor) para este ano.