O Banco Central Europeu cometeu mais um erro de política monetária. A inflação tem origem exógena e encarecer o crédito significa deprimir ainda mais a atividade e dificultar a atuação dos governos.
Sem surpresa, o Banco Central Europeu optou por deixar os juros inalterados ao fim de dez subidas consecutivas, face à descida do indicador de preços na mais recente leitura. O foco do mercado coloca-se agora no discurso de Christine Lagarde à procura de sinais sobre se esta é uma pausa ou o fim do ciclo de subidas dos juros.
As projeções e expectativas do mercado para a reunião desta quinta-feira têm-se alterado significativamente nas últimas semanas, sobretudo depois dos dados da inflação em agosto terem desiludido. Entre pausa e nova subida de 25 pontos, investidores e analistas inclinam-se para esta última decisão que é, dizem, "uma das mais difíceis deste ciclo".
É o valor mais alto dos juros diretores desde 2008, depois de uma decisão largamente esperada. A dúvida residia apenas na magnitude da subida, com parte do mercado a preferir 50 pontos base, tal como três dos nove membros do painel de política monetária britânica.
A inflação continua elevada no Reino Unido, que tem mesmo o indicador de preços mais alto nos G7, mas a tão temida recessão tem sido evitada até agora, dando margem de manobra ao banco central para colocar os juros em máximos de 15 anos.
O foco estará na comunicação de Powell, que deverá ser novamente 'de falcão', sinalizando que a Fed tudo fará para trazer a inflação de volta aos 2% enquanto promove o pleno emprego. Analistas dividem-se quanto à necessidade de mais subidas após julho.
São dois encontros cruciais para duas das maiores economias mundiais. Analistas consideram certas as subidas em julho, mas os mercados/empresas/famílias vão estar muito atentos às palavras de Powell e Lagarde para tentar antecipar o que se segue.
A Goldman Sachs projeta que o BCE acabe por manter o ritmo já antecipado anteriormente, o que passará por uma subida de 50 pontos base (p.b.) na reunião desta semana, apesar de contribuir para um maior aperto das condições monetárias.