O “El Economista” coloca em foco, esta sexta-feira, aquilo que tem sido a política monetária, neste último ano, seguida pela Banco Central Europeu (BCE), desde que decidiu começar a subir as taxas de juro, a 21 de julho de 2022, a primeira vez em mais de uma década. Desde aí a escalada continuou com oito subidas, num total que chegou aos 4%, com o objetivo de manter a estabilidade preços na zona euro, e manter a taxa de inflação em volta dos 2%, destacou a mesma publicação.
É ainda dito pelo “El Economista” que a política seguida pelo BCE neste último ano levou a que as bolsas europeias conseguissem absorver o aumento das taxas de juro, com ganhos significativos, algo que a publicação classificou com sendo surpreendente.
Esses ganhos levaram o índice bolsista espanhol a crescer 18,8%.
Contudo a subida das taxas de juro trouxe consequência para o mercado imobiliário. O “El Economista” referiu que os preços da habitação desceram 1,7%, no quarto trimestre de 2022, e quebraram 0,7% no primeiro trimestre de 2023.
A mesma publicação sublinha que por outro lado a zona euro estagnou no primeiro trimestre deste ano, a que se juntou uma crise energética devido à guerra na Ucrânia.
O “El Economista” acrescenta que o emprego tem estado em alta, traduzindo-se em mínimos na taxa de desemprego na zona euro. Por outro lado a indústria tem estado em quebra e os serviços têm sentido crescimento depois de levantadas as restrições contra a Covid-19.
É destacado pelo “El Economista” as constantes subidas das taxas de juro, anunciadas pelo BCE, de modo a conter as subidas de se verificaram na inflação, onde em vários países europeus se ultrapassou os 10%.
É ainda sublinhando a decisão tomada em dezembro de 2022, em que o BCE anunciou que iria reduzir o Programa de Compra de Ativos em cerca de 15 mil milhões de por mês.
Em seguida surgiu a falência do Silicon Valley Bank (SVB) e pouco tempo depois o Credit Suisse entrou em dificuldades, durante o primeiro trimestre.
O “El Economista” salienta que a reunião de julho do BCE, marcada para dia 27, deve trazer uma subida de 0,25% nas taxas de juro.
A mesma publicação diz que os próximos tempos são de incerteza no que diz respeito às opções que o BCE vai tomar em termos de política monetária.
O “El Economista” sublinha que para a reunião prevista para setembro, existem várias possibilidades, entre as quais uma nova subida das taxas de juro em 25%, uma pausa temporária, ou então uma pausa definitiva.
Tudo estará dependente, diz o El Economista, de factores como o comportamento da inflação e da evolução económica que se venha a verificar nos vários países.
O economista do banco SEB, Filip Carlsson, citado pelo espanhol, disse que se a inflação em julho e agosto “cair em linha com as nossas previsões, pode haver uma pausa em setembro, mas mesmo que assim seja, é provável que o BCE mantenha claramente a porta aberta para novas subidas das taxas mais tarde, para garantir que os mercados não aumentem as expectativas de cortes nas taxas no futuro próximo. Previsões do BCE em setembro determinarão se haverá nova alta ou pausa nessa reunião”.
Já o economista do ING, Carsten Brzeski, defendeu que se “a economia continuar fraca, o processo desinflacionário ganhar força e o núcleo da inflação começar a cair depois do verão, o ciclo de aumentos do BCE deve terminar com a reunião de setembro, embora o banco possa esperar até a reunião de dezembro para declarar esse ciclo oficialmente encerrado”.