Sindicato Independente dos Médicos diz que será difícil obter acordo

Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, explicou que o valor de proposta de aumento salarial dos médicos pela tutela se mantém nos 5,5%.

Sindicato Independente dos Médicos diz que será difícil obter acordo
Jorge Roque da Cunha (2)

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) adiantou hoje, à entrada de uma nova ronda negocial no Ministério da Saúde, que vai ser difícil chegar a um acordo, justificando que a contraproposta apresentada pelo Governo “não ofereceu nada de novo”.

Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, explicou que o valor de proposta de aumento salarial dos médicos pela tutela se mantém nos 5,5%.

“[O Ministério da Saúde] não ofereceu nada de novo, (…), e, por isso, vamos ter alguma dificuldade em chegar a um acordo”, afirmou, ressalvando que o Governo deveria “ser mais com os médicos”.

“Quando solicitamos um aumento faseado de 30% lembramos que os médicos têm tido um aumento inferior à média da Administração Pública e muito longe da inflação, e, por isso, esperamos que o Governo seja sensível a essa questão”, sustentou.

Por sua vez, a presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fnam), Joana Bordalo e Sá, mostrou perplexa por ter recebido apenas os documentos por parte do Governo ao fim da noite de segunda-feira.

“Foi com alguma perplexidade que recebemos a documentação enviada pelo ministério ontem [segunda-feira] à noite às 23:58, sendo que nestes documentos não estão vertidas por escrito aquelas decisões – aquelas aproximações – que achávamos que havia relativamente às condições de trabalho, nomeadamente à reposição das 35 horas de trabalho e (…) ao faseamento do serviço de urgência de 18 para 12 horas. Essa parte ainda está a ser resolvida”, realçou.

De acordo com Joana Bordalo e São, os médicos “não podem ficar esquecidos” e espera “chegar a acordo e a bom porto”, durante a reunião com o ministro da Saúde, Manuel Pizarro.

Ainda assim, a dirigente sindical lembrou que a Fnam vai continuar a apoiar todos os médicos que tiverem dificuldades em entregar os pedidos de escusa, vai manter a greve nacional de 14 e 15 de novembro e deslocar-se-á a Bruxelas para se encontrar com a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides.

Os sindicatos dos médicos e o ministro da Saúde estão esta tarde novamente reunidos, após a ronda negocial de domingo que durou mais de nove horas e terminou sem acordo já na madrugada de segunda-feira.

Hoje, junto ao Ministério da Saúde, Manuel Pizarro, voltou a dizer que o Governo “tem feito um esforço sucessivo” para atender às reivindicações dos sindicatos.

As negociações entre o Ministério da Saúde e o SIM e a Fnam iniciaram-se há 18 meses (ainda em 2022), mas a falta de acordo tem agudizado a luta dos médicos, com greves e declarações de escusa ao trabalho extraordinário além das 150 horas anuais obrigatórias, o que tem provocado constrangimentos e fecho de serviços de urgência em hospitais de todo o país.

Relacionado

Menos de metade dos 820 fisiatras do país trabalham no SNS

Menos de metade dos 820 fisiatras do país trabalham no SNS

Melissa Lopes12 Nov
Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação (SPMFR) apresentou, há mais de ano e meio, ao Ministério da Saúde e à Direção Executiva do SNS um plano nacional para responder à "carência generalizada" de recursos nesta área, sobretudo ao nível dos cuidados de saúde primários, e esperava que as medidas fossem implementadas com brevidade.