Sinais de desanuviamento entre a Grécia e a Turquia

Um encontro ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros permitiu abrir frentes de entendimento, depois de séculos de confronto e de, nos anos mais recentes, o Mediterrâneo ter sido ponto de fortes tensões.

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A Grécia encontrou “terreno fértil” no encontro realizado na capital da Turquia, entre o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros grego, Konstantinos Fragkogiannis, e o encontro com o seu homólogo turco, Burak Akcapar. Em entrevista ao jornal “Kathimerini Daily”, aquele responsável disse que as relações entre os dois países seguem no sentido do desanuviamento.

“Nesta conjuntura, a Agenda Positiva é uma ferramenta eficaz para resolver questões quotidianas relacionadas com os laços entre os dois países”, afirmou – referindo-se ao plano governamental de reatamento das relações.

“Além de acordarmos na ampliação dos canais de comunicação em áreas de interesse mútuo, também abrimos caminhos para uma cooperação mais estreita nos domínios contemplados na agenda, incluindo o aumento da cooperação entre empresários e investimentos conjuntos em países terceiros”, disse Fragkogiannis.

Possíveis áreas de cooperação em outras áreas, incluindo desenvolvimento rural, energia, proteção ambiental e seguros, serão discutidas durante a próxima reunião da Agenda, que desta vez terá lugar em Atenas.

Apesar de uma história de forte rivalidade com a Turquia, a Grécia foi um dos primeiros países europeus a enviar equipas de resgate e ajuda humanitária em 6 de fevereiro, poucas horas após os terremotos devastadores que ocorreram naquele país.

O governo grego despachou 80 toneladas de equipamentos médicos e de primeiros socorros, enquanto milhares de gregos responderam aos pedidos de ajuda da Turquia, fazendo reviver a memória da ajuda mútua a quando de um desastre natural semelhante em 1999 – que uniu os vizinhos quando pareciam estar próximos de uma guerra. Foram ainda os terremotos que inspiraram o primeiro contato entre o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis e o presidente Recep Erdogan ao cabo de muitos meses.

Dois focos de desentendimento marcam o cruzamento de interesses entre os dois países. O primeiro é a divisão da ilha de Chipre: a Grécia entende que a Turquia ocupou ilegalmente a parte norte da ilha e que ali instalou uma república autónoma fantoche, que não é senão uma extensão do poder regional da Turquia. O país não é, aliás, reconhecido por quase nenhuma nação do mundo. A própria ONU já desistiu de tentar encontrar uma base de entendimento entre os dois países sobre a matéria.

Mais recentemente, os dois países voltaram a colidir face aos interesses de cada um nas na exploração dos recursos energéticos enclausurados no fundo do Mar Mediterrâneo. A Grécia queixou-se repetidamente de que a Turquia fazia pesquisas em águas territoriais gregas, o que motivou uma musculada troca de acusações. A Turquia queixou-se entretanto de que a Grécia estava a proceder à militarização de ilhas que se encontram entre os dois países – na tentativa de comprometer essas pesquisas.

A disputa entre os dois países acabou por ‘contaminar’ a própria União Europeia, que teve de se haver com a recusa da Grécia em aceitar uma série de decisões – que tinham nomeadamente a ver com a postura dos 27 face aos problemas da imigração – enquanto o bloco não tomasse uma posição firme sobre Chipre.

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