Shutdown americano entra na quarta semana, mas resultados trimestrais animam investidores

Os resultados trimestrais têm sido acompanhados pelo shutdown norte-americano, sendo que ainda não existe uma data para este terminar. Esta paralisação vai entrar na quarta semana e já está a custar o salário a muitos trabalhadores.

Shutdown americano entra na quarta semana, mas resultados trimestrais animam investidores
leitor_64a81e8ba30eb_bolsas-mercados-trader.png

Os investidores têm estado de olhos postos nos resultados trimestrais, com a General Motors a desiludir e a apresentar uma descida de 33% no lucro nos nove meses do ano, para 6.007 milhões de dólares (5.176 milhões de euros).

Os resultados trimestrais têm sido acompanhados pelo shutdown norte-americano, sendo que ainda não existe uma data para este terminar. Esta paralisação vai entrar na quarta semana e já está a custar o salário a muitos trabalhadores.

Esta paralisação continua a adiar muitas publicações de indicadores económicos, sendo que no plano “macroeconómico o ambiente é mais calmo, até porque muitas das comunicações de dados em solo norte-americano têm vindo a ser adiadas devido ao shutdown governamental que entra no seu 21.ºdia. O ambiente de maior paz na guerra comercial entre os EUA e a China tem sustentado a tranquilidade dos investidores”, refere o analista Ramiro Loureiro, do Millennium Investment Banking.

Um ponto positivo da semana foi o aclamar das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, sendo que estão a conduzir a uma desvalorização do ouro, que já atingiu valores históricos.

“Os preços do ouro recuaram nas primeiras horas de negociação de terça-feira, caindo abaixo dos 4.300 dólares. Na semana passada, o metal precioso valorizou mais de 6% e prolongou esses ganhos ao atingir um novo máximo histórico. Os preços têm sido sustentados pela turbulência geopolítica persistente, pelas tensões comerciais e pela prolongada paralisação do governo dos EUA, fatores que reforçaram o apelo do ouro como ativo de refúgio. As crescentes apostas numa Reserva Federal de orientação mais dovish também têm sido positivas para o metal precioso, criando pressão negativa sobre o dólar norte-americano e apoiando os preços do ouro devido à correlação inversa entre os dois ativos”, afirma Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.

O analista salienta ainda que as perdas registas no ouro “refletem sinais mais positivos vindos de Washington relativamente às tensões comerciais com a China, o que impulsionou o sentimento nos mercados acionistas e desviou fluxos do metal precioso de refúgio, juntamente com ligeiros ganhos do dólar. No entanto, o caminho de menor resistência continua, aparentemente, a ser em alta, uma vez que os investidores continuam a encarar eventuais quedas de preço como oportunidades de compra”.

Do lado do Japão chegou-se a um consenso quanto à eleição da nova primeira-ministra, Sanae Takaichi, a “primeira mulher a ocupar o cargo no país”. “A nova coligação entre o Partido Liberal Democrata (LDP) e o Partido Conservador (JIP) está alinhada em torno de vários eixos: o aumento dos gastos com defesa, a política migratória, a reativação dos reatores nucleares e uma nova vaga de estímulos económicos. Estas medidas são vistas como favoráveis ao mercado acionista, mas ao mesmo tempo deverão exercer pressão sobre o iene — um desafio acrescido num contexto de inflação elevada que afeta o Japão desde 2022”, referiu Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.

Relacionado