Artigo originalmente publicado no caderno NOVO Economia de 4 de agosto, com a edição impressa do Semanário NOVO.
Semana de dificulda des no que respeita aos mercados europeus, com as dúvidas a dominarem a mente dos investidores, em reflexo dos números divulgados e da redução notação de crédito dos Estados Unidos da América, por uma das grandes agências de rating. A somar a isto, há pressões gera das pelo sector dos combustíveis.
Desde logo na segunda-feira, as divulgações de dados relativos ao Produto Interno Bruto (PIB) foram pouco animadoras, com um crescimento de apenas 0,3% ao nível do PIB da zona euro, revelaram os números divulgados pelo Eurostat, o instituto de estatísticas da União Europeia. De resto, em Portugal, o mesmo indicador desacelerou para uma subida homóloga de 2,3%, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística.
Ainda assim, os principais focos de tensão estavam adiados para os outros dias da semana. Os recuos ao nível da produção industrial verificaram-se nos números revelados não apenas na zona da moeda única e em Portugal, como também do outro lado do mundo na China, gerando a desconfiança da parte dos mercados, tanto na Europa, como
em Wall Street, nos Estados Unidos.
Destaque para o decréscimo observado em Portugal de 3,7% em junho, face ao mês homólogo. Outro fator de insegurança para os investidores foi a decisão da Fitch de baixar a notação de crédito dos EUA de AAA para AA+, naquilo que foi uma surpresa para os mercados. De acordo com uma análise da corretora XTB, “em maio, a Fitch já tinha levantado algumas preocupações, citando como razão os desacordos sobre o limite da dívida e a deterioração geral da situação fiscal do país”, no entanto, não era expectável que fosse dado este passo por esta altura.
Na mesma semana, o Banco de Inglaterra deu a conhecer novidades sobre a política monetária. Aquela instituição subiu as taxas de juro da libra em 25 pontos base (p.b.), em linha com aquilo que decidiram, na semana anterior, o Banco Central Europeu (BCE) e, nos Estados Unidos, a Reserva Federal (Fed).
Assim sendo, foram evidentes os efeitos na confiança dos investidores, resultando em nova derrapagem na bolsa de Wall Street e nas bolsas europeias. A somar aos vários motivos de insegurança esteve a antecipação da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+), já que da mesma podem sair novos cortes ao nível da produção de petróleo.
De recordar que, ao longo dos últimos meses, os anúncios neste âmbito geraram receios acentuados, o que fez aumentar a procura no sector petrolífero, tendo por consequência a subida dos preços, tanto no barril de Brent, como no de crude.
Na próxima semana, os mercados em Portugal vão aguardar pela divulgação, na quinta-feira, de dados relativos ao Índice de Preços no Consumidor (IPC) em julho. No dia anterior, atenções viradas para os números do desemprego no segundo trimestre, assim como para a balança comercial.
Lá fora, destaque para números de grande peso nos mercados, como é o caso do PIB do Reino Unido em junho. A somar a isto, dados no âmbito do IPC em julho vão ser revelados em vários países. É o caso da Alemanha, França, Espanha, China e Estados Unidos.
Olhando precisamente ao território norte-americano, vão ser conhecidos novos dados no âmbito do mercado petrolífero, com os Estados Unidos a revelarem números relativos aos inventários de petróleo bruto. A estes, juntam -se a balança comercial em junho, assim como números relativos a exportações e importações e ainda os pedidos ini ciais de subsídio de desempre go e do Índice de Preços no Produtor (IPP) naquele país.