O presidente-executivo da TAP avisa que a TAP precisa de um novo acionista com capacidade financeira para reforçar a sua operação quando for inaugurado o novo aeroporto de Lisboa.
A companhia portuguesa arrisca-se a perder a sua posição de liderança no atual aeroporto de Lisboa, ao não conseguir acrescentar mais aviões à sua operação, por falta de dinheiro.
“Daqui a 10 anos, a capacidade vai aumentar significativamente, e vai ser preciso acrescentar muito à operação”, começou por dizer Luís Rodrigues na quarta-feira durante um discurso numa conferência organizada pelo Sindicato Nacional de Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) em Lisboa para discutir, precisamente, a privatização da TAP.
Dando o exemplo de um reforço entre 10 a 20 aviões, se necessário, “uma companhia pequena e frágil não tem capacidade para fazer isso”.
Alertou assim para a “perda de capacidade competitiva” da TAP com o “novo aeroporto”, o que vai colocar “em causa a sustentabilidade financeira da empresa”, se não tiver “parceiros com disponibilidade para acrescentar recursos à operação” para a TAP manter a sua “quota no aeroporto de Lisboa”, para permitir que seja um “hub de excelência para o Atlântico”.
Entretanto, o ministro das Infraestruturas falava à mesma hora no Parlamento sobre o processo de privatização da TAP.
“O Governo salvaguardará a autonomia e a identidade da transportadora nacional, mantendo a marca TAP e Lisboa como centro estratégico. Ao contrário do que sucedeu num passado não muito distante, a TAP tem hoje uma imagem muito positiva, aliás com reflexos nos números. Registou em 2025 o quarto ano consecutivo de resultados positivos. O que a torna ainda mais apetecível para grandes grupos da aviação civil”, segundo Miguel Pinto Luz.
Alemães e franco-neerlandeses na corrida
A Lufthansa acredita que a compra da TAP vai permitir à companhia alemã atingir os níveis dos rivais europeus na América do Sul.
“Acredito que vamos estar numa posição ideal com a TAP na América do Sul. Somos o grupo europeu mais pequeno em relação à América do Sul. Com a TAP, vamos ser tão fortes como os outros”, disse esta no início de maio o presidente-executivo da companhia aérea Carsten Spohr.
O negócio na América do Sul “está ótimo”, afirmou, destacando o Brasil “onde existe muita população” e juntando as marcas Swiss, Lufthansa e TAP “vamos ficar com uma posição muito forte”.
Deixou também a garantia: “o nosso interesse na TAP não mudou”.
O gestor revelou que o chanceler alemão Friedrich Merz esteve reunido com o primeiro-ministro Luís Montenegro onde falaram no “potencial entre Portugal e a Alemanha”.
Além do interesse na TAP, a companhia também vai abrir uma unidade de manutenção e reparação em Santa Maria da Feira, um investimento de 300 milhões de euros, mais uma escola de pilotos para a Força Aérea alemã.
“Portugal é um parceiro potencial muito importante. A crise não vai durar para sempre e a nossa orientação estratégica e as prioridades foram definidas. Vamos dar o próximo passo.
“Estamos igualmente expectantes quanto à próxima etapa e às etapas subsequentes que se apresentam à nossa frente”, rematou o líder da Lufthansa.
A Air France-KLM (AFKLM) também disse no início deste mês que está preparada para apresentar a oferta “mais forte possível” pela TAP.E considera que a guerra no Médio Oriente e a crise energética não vão mudar nada na proposta franco-neerlandesa pela TAP.
“A importância estratégica da TAP permanece igual para nós. A localização geográfica de Lisboa para juntar à nossa já forte posição na América Latina é ainda muito importante”, disse o presidente-executivo da companhia Benjamin Smith destacando a “relação histórica” da AFKLM com a companhia brasileira GOL.
A AFKLM e a alemã Lufthansa são as duas únicas companhias na corrida à privatização de 45% da TAP, depois de a IAG ter rejeitado apresentar uma proposta não-vinculativa. As duas ofertas já foram aceites pelo Governo, com as duas companhias a terem agora até ao início de julho, segundo o executivo, para apresentarem as propostas vinculativas.