A economia britânica contraiu ligeiramente no último mês de 2022, na ordem dos 0,5%, ainda que não tenha sido registado crescimento no quarto trimestre do ano, com a economia a conseguir escapar, para já, a uma recessão.
No entanto, a “Reuters” lembra que as famílias britânicas continuam a enfrentar a inflação de 10% (dados de dezembro de 2022) e que as perspectivas dos analistas para 2023 não são as melhores.
Os dados de dezembro mostram que o PIB foi afetado pelas greves ferroviárias e no sector da saúde mas também pelo mau tempo, levando a que a contração fosse superior à previsão de queda de 0,3%.
“A economia contraiu acentuadamente em dezembro, o que significa que, no geral, não houve crescimento na economia nos últimos três meses de 2022”, aponta Darren Morgan do gabinete estatístico, citado pela “Reuters”.
A segunda metade de 2022 foi a definição de annus horribilis para os britânicos. A morte da Rainha Isabel II em setembro levou a uma paragem significativa na economia, com as empresas a pararem a produção e os serviços, algo que aconteceu para que os britânicos homenageassem a monarca.
Os dados mostram que a economia britânica está 0,8% abaixo dos níveis pré-pandémicos, más notícias quando se compara com os dados de outras economias.
A economia do Reino Unido conseguiu evitar a recessão depois de ter ficado flat nos últimos três meses do ano, uma vez que no trimestre anterior tinha encolhido 0,3%. O Banco de Inglaterra prevê uma recessão longa mas superficial, que se deverá iniciar no primeiro trimestre do ano e que terá a duração de cinco trimestre.
No entanto, quando analisado o ano de 2022, é visível que a economia do Reino Unido cresce 4%, um valor que compara com o crescimento de 7,6% do ano anterior, quando a Grã-Bretanha apresentou uma recuperação da pandemia.
O ministro das Finanças, Jeremy Hunt, lembra que estes dados mostram que a economia britânica é mais resiliente que o esperado. “Há uma resiliência subjacente na economia do Reino Unido mas não estamos fora do perigo. A inflação ainda é muito elevada e isso está a causar sofrimento às famílias em todo o país”.
E se o futebol prejudicasse a economia?
Parece um cenário improvável mas convém lembrar que o futebol não é apenas o desporto-rei como assume enorme importância na economia no Reino Unido. O Mundial no Qatar levou a uma paragem da Premier League e com a principal competição de futebol parada, a atividade económica associada ao futebol também teve efeito no PIB britânico em dezembro.
Dados recolhidos pelo “El Economista” mostram que a atividade desportiva caiu 17% no mês de dezembro no Reino Unido.
Para os ingleses, o futebol não é apenas um jogo. É também convívio, produção, consumo e lazer, o que se traduz em ganhos para a economia. Neste caso, sem jogos da primeira divisão, os adeptos recolheram-se em casa e acompanharam os jogos da seleção inglesa nas televisões das habitações.
“A contração de 0,5% do PIB mensal em dezembro, mais grave que o esperado, pode ser atribuída em grande parte às greves ou, o que é mais estranho, à ausência de jogos de futebol da Premier League em dezembro devido ao Mundial no Qatar. Isso foi suficiente para que a categoria lazer/entretenimento caísse perto de 8%”, apontou o economista James Smith no Instituto de Estatística. O analista da Capital Economics, Paul Dales, concorda com a análise do economista, notando que o futebol é um grande motor da economia britânica.