Salários dos britânicos voltam a subir mais do que o esperado

Os ordenados no Reino Unido aumentaram 7,3% entre março e maio, em termos homólogos, o que corresponde a um valor superior ao que os economistas esperavam (7,1%).

Salários dos britânicos voltam a subir mais do que o esperado
Reino Unido Londres

Os salários no Reino Unido subiram mais do que o esperado em maio deste ano, o que gera uma pressão adicional no banco central britânico para um novo aumento das taxas de juro, revelou esta terça-feira o Office for National Statistics (ONS).

Os ordenados em Terras de Sua Majestade aumentaram 7,3% entre março e maio, em termos homólogos, o que corresponde a um valor superior ao que os economistas esperavam (7,1%) e iguala os números registados no mês passado, revistos em alta, e os de meados de 2021, quando haviam sido distorcidos pela pandemia de Covid-19.

O sector de serviços financeiros e comerciais teve a maior taxa de crescimento (9%), seguindo-se a indústria (7,8%) que registou mesmo a percentagem de crescimento mais elevada desde que há existem registos comparáveis no sector secundário (2001), de acordo com a informação mais recente do ONS.

Segundo a research da BA&N consultada pelo Jornal Económico, trata-se de “um aumento recorde” que coloca pressão adicional para que o Banco de Inglaterra (BoE – Bank of England) continue a subir os juros. “Os economistas estimavam um incremento mais ténue de 7,1%. Os salários aumentaram apesar de sinais de debilidade no mercado de trabalho, com a taxa de desemprego a subir de 3,8% para 4% nos três meses terminados em abril e as vagas de emprego a descerem para mínimos desde meados de 2021”, lê-se.

Os analistas do banco neerlandês ING concordam que o forte crescimento salarial anunciado esta manhã hoje pode levar o BoE a aumentar as taxas de juros em meio ponto percentual no próximo mês, para 5,5%. “Há alguns meses, parecia que o crescimento dos salários no Reino Unido havia atingido o pico. Agora estão ao ritmo mais rápido e, dependendo dos números da inflação da próxima semana, pode levar o BoE a outro aumento de taxa de 50 pontos base em agosto”, antecipam os especialistas.

Falamos em termos gerais. Se separarmos os dados do sector público e do privado, percebemos que entre os meses de março a maio o crescimento médio da remuneração regular nos privados foi de 7,7%, equivalente à do período da pandemia, enquanto para as instituições públicas foi de 5,8%, a maior desde setembro a novembro de 2001 (5,9%).

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