Uma visita orientada temática em torno da chegada de mais um ano lunar é a proposta do Museu do Oriente, em Lisboa, para celebrar a chegada do novo ano chinês. Após um período agitado regido pelo Tigre, eis que chega a vez do Coelho ficar aos comandos, já a partir de dia 22 de janeiro. Oportunidade para conhecer tradições, usos e costumes em torno do ano novo chinês através de peças que integram o acervo do museu.
Às 19h30, o concerto “Festival da Primavera” assinala esta mudança no calendário lunar com a subida ao palco da Lisbon Chamber Ensemble e Orquestra Metropolitana de Lisboa, e de dois convidados, os solistas Bin Chao, no violino, e Zeming Wu, no piano.
Mas importa dizer que o programa de atividades arranca na véspera, dia 21 de janeiro, com um workshop dedicado à arte do recorte chinês, Jianzhi, que conta com 1500 anos de história. Trata-se de uma arte que tem uma função essencialmente religiosa e espiritual, e que é usada para decorar e trazer boa sorte às casas no Ano Novo. Património imaterial da humanidade desde 2009, esta arte, praticada sobretudo por mulheres, é geralmente feito em papel vermelho, que simboliza a sorte na cultura chinesa.
No mesmo dia, da parte da manhã, haverá também um workshop de confeção de dumplings. E porquê? Os dumplings chineses são tradicionalmente consumidos durante o Ano Novo e outras ocasiões festivas quando as famílias se reúnem, como o Solstício de Inverno. O seu formato lembra lingotes chineses e são sinónimo de riqueza e prosperidade. Organizado por Come Eat Dinner, neste workshop a formadora Wei Ling não só vai enquadrar os dumplings no quotidiano e na gastronomia, como ensinar a confecioná-los.
As atividades para celebrar a entrada no Ano do Coelho não se esgotam aqui. “Animais em pop-up”, a 21 e 28 de janeiro, pretende sensibilizar os mais novos para a cultura mitológica, e pelas 18h00 o auditório do museu recebe o espetáculo de música e dança “Sonho ao luar”. Já no dia 29, haverá visitas orientadas às exposições “Presença Portuguesa na Ásia”, durante a qual se explora o relacionamento entre Portugal e o Oriente desde o século XV até aos nossos dias, e “Histórias de Um Império- Colecção Távora Sequeira Pinto”, que documenta as profundas relações artísticas entre Portugal e as culturas do Império Asiático.
Estas são apenas algumas das atividades propostas para assinalar o novo chinês. Consulte aqui o programa completo.
Breve história do zodíaco chinês
Num dos mitos sobre o surgimento do zodíaco chinês consta que, a dada altura, a Terra foi atingida por uma grande seca e a humanidade ainda não dominava a arte do cultivo do arroz. O imperador celestial, condoído com esta terrível situação que assolava os humanos, decidiu convocar uma corrida. Os 12 animais que primeiro chegassem ao palácio celestial levariam as sementes para o mundo terrestre e seriam imortalizados como constelações.
Naquele tempo, o galo tinha chifres e o dragão pediu emprestados os ditos, pois não tinha nada para decorar a sua cabeça. Isto com a promessa de lhos devolver quando chegassem ao palácio celestial. O galo, de boa-fé, emprestou-lhe os chifres.
No momento da partida, o rato, que ia à boleia no dorso do búfalo, ao aproximar-se do portão celestial, deu um salto e ficou em primeiro lugar. Resultado? O búfalo ficou em segundo e o porco, ao ver o ardil do roedor, grunhiu em protesto e foi castigado com o último lugar. O tigre que vinha logo depois, ficou em terceiro neste desfile inusitado. O coelho vinha atrás, seguido pelo cão que lhe mordeu a perna. A infração valeu ao cão o castigo da penúltima posição, e o coelho assumiu o quarto lugar.
O dragão, com o seu porte vistoso e chifre elegante, deu nas vistas e quando o imperador o vislumbrou ao longe atribuiu-lhe a quinta posição. O sexto lugar seria para a cria do dragão, mas como estava muito atrasado, a serpente antecipou-se à decisão e atribuiu a si própria o sexto lugar. “Como sou o seu parente mais próximo e o dragão é o meu padrinho, fico eu com o sexto lugar”, justificou.
O cavalo e a cabra chegaram juntos, cada um disposto a ceder o lugar ao outro. O imperador celestial, que apreciou aquela cordialidade, atribuiu-lhes a sétima e a oitava posição. O macaco, que ainda vinha longe, no último instante saltou de nuvem em nuvem, e conseguiu ficar em nono lugar, seguido pelo galo – penalizado por não ter o garbo que os chifres lhe dariam… Na cauda desta corrida ficaram o cão e o porco, ou seja, em décimo primeiro e décimo segundo lugar, na sequência dos seus castigos.