Rutte diz ter acordado com Trump reforço da NATO no Ártico para impedir presença russa e chinesa

Mark Rutte disse que, no encontro decorrido na quarta-feira, chegou-se a acordo relativamente a “dois eixos de trabalho” sobre o território autónomo dinamarquês que é cobiçado por Washington.

Rutte diz ter acordado com Trump reforço da NATO no Ártico para impedir presença russa e chinesa
epa11634956 New NATO Secretary General Mark Rutte gives his first press conference after he succeeds Jens Stoltenberg as NATO Secretary General, at the Alliance headquarters in Brussels, Belgium, 01 October 2024. Former Dutch Prime Minister Mark Rutte succeeds Jens Stoltenberg as Secretary General of the North Atlantic Treaty Organization (NATO) on 01 October 2024 after the latter's ten years at the helm of the Alliance. EPA/OLIVIER HOSLET

O secretário-geral da NATO disse, esta quarta-feira, ter acordado com o Presidente dos Estados Unidos, em Davos, um reforço da presença da Aliança no Ártico para impedir que a Rússia e a China ganhem acesso militar e económico à região.

“O que saiu da reunião de quarta-feira [em Davos] são pelo menos duas questões que têm de ser tratadas. A primeira é a Rússia. A segunda é a China. Como impedir que esses dois países ganham acesso ao Ártico, seja em termos militares, seja em termos económicos”, afirmou Mark Rutte numa audição no Parlamento Europeu, a propósito do encontro que manteve com Donald Trump à margem do Fórum Económico Mundial.

Após ter sido questionado várias vezes por eurodeputados sobre a conversa que teve em Davos, na Suíça, com Trump sobre a Gronelândia, que levou o Presidente dos Estados Unidos a retirar a ameaça de impor tarifas a países europeus, Mark Rutte disse que, nesse encontro, se chegou a acordo relativamente a “dois eixos de trabalho” sobre o território autónomo dinamarquês que é cobiçado por Washington.

“O primeiro é que a NATO irá, coletivamente, assumir mais responsabilidades na defesa do Ártico”, disse, recordando que sete dos oito países com presença no Ártico pertencem à Aliança Atlântica: os Estados Unidos, o Canadá, a Dinamarca, a Noruega, a Islândia, a Finlândia e a Suécia.

“O oitavo é a Rússia que, claro, não pertence à NATO. Um dos pontos centrais é ver como é que, coletivamente, podemos impedir que os russos e os chineses tenham mais acesso ao Ártico, incluindo impedir que eles tenham acesso militar e económico à região”, disse.

Rutte salientou que, no que se refere a este eixo de trabalho, a NATO estará “claramente no comando”, frisando que ele próprio estará “diretamente envolvido” e procurará perceber como é que a Aliança pode “defender coletivamente o Ártico”.

Garantir diálogo sobre a Gronelândia

O segundo eixo de trabalho, prosseguiu, é garantir que o diálogo sobre a Gronelândia que se iniciou há duas semanas entre a Dinamarca, a Gronelândia e os Estados Unidos, com um encontro entre os chefes da diplomacia na Casa Branca, se mantém.

“Agora cabe aos dinamarqueses, gronelandeses e americanos fazê-lo. Eu não estarei envolvido nesse eixo de trabalho”, disse.

Confrontado pelo eurodeputado dinamarquês Villy Sovndal, ministro dos Negócios Estrangeiros do país entre 2011 e 2013, sobre se considerava ter o direito de negociar em nome da Dinamarca e da Gronelândia, o secretário-geral da NATO disse que não.

“Claro que não fui mandatado para negociar em nome da Dinamarca. Não o fiz e não o farei. Isso cabe à Dinamarca”, disse.

Questionado pelo eurodeputado do PSD Sebastião Bugalho se, durante as negociações sobre a Gronelândia, Donald Trump alguma vez ameaçou pôr em causa garantias de segurança à Ucrânia se não cedessem à sua vontade, Mark Rutte disse que não.

“Nunca tinha ouvido esse rumor. São questões completamente separadas”, assegurou.

Na quarta-feira passada, Trump retirou a ameaça de anexar a Gronelândia à força e de aumentar tarifas aduaneiras sobre alguns países europeus por se oporem à proposta de aquisição do território dinamarquês.

Trump alegou questões de segurança nacional perante ameaças russa e chinesa para querer a ilha do Ártico, que também possui grandes reservas de hidrocarbonetos e de minérios.

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