Robert Kennedy Jr: o clã quer um candidato democrata nas primárias às presidenciais de 2024

Nos Estados Unidos, nada impede que um presidente que se recandidata possa ser confrontado com opositores. O filho de Robert F. Kennedy e sobrinho de John F. Kennedy, ambos assassinados, parece querer testar o seu peso político.

Robert Kennedy Jr: o clã quer um candidato democrata nas primárias às presidenciais de 2024
Robert Kennedy Jr: o clã quer um candidato democrata nas primárias às presidenciais de 2024

Robert F. Kennedy Jr., advogado e membro do clã político mais famoso dos Estados Unidos, vai lançar uma candidatura à Casa Branca em 2024, tornando-se o segundo candidato democrata a desafiar o presidente Joe Biden, que já disse que se recandidatará ao cargo que ocupa no momento.

Kennedy, de 69, filho do candidato presidencial assassinado em 1968, o senador Robert F. Kennedy, apresentou os documentos à Comissão Eleitoral Federal esta quarta-feira, segundo avança a imprensa norte-americana.

Recorde-se que Marianne Williamson, a guru da autoajuda que alertou sobre a “força psíquica negra” desencadeada pelo presidente republicano Donald Trump, lançou uma candidatura presidencial democrata para 2024 em março, pedindo “justiça e amor”. Não terá sido levada muito a sério, mas o clã Kennedy é outra coisa.

Um cético de longa data sobre vacinas, Kennedy foi escolhido em 2017 para supervisionar um painel presidencial (ao tempo de Donald Trump) sobre ciência a segurança das vacinas, grupo que atraiu críticas imediatas de cientistas e especialistas em saúde pública. Segundo a Reuters, em 2021, o Instagram removeu a conta de Kennedy depois de o advogado partilhar repetidamente alegações desmentidas sobre a Covid-19, em violação da política da rede social sobre a pandemia.

O sobrinho do presidente assassinado John F. Kennedy insinuou as suas ambições presidenciais num post no Twitter no mês passado, pedindo ajuda para decidir se deveria concorrer à Casa Branca ou não. “Se parecer que posso levantar financiamento e mobilizar pessoas suficientes para vencer, vou entrar na corrida”, escreveu. “Se eu concorrer, a minha principal prioridade será acabar com a fusão corrupta entre Estado e poder corporativo, que arruinou a nossa economia, destruiu a classe média, poluiu as nossas paisagens e a águas, envenenou os nossos filhos e nos roubou os nossos valores e liberdades”. As movimentações continuaram e Robert F. Kennedy Jr. parece estar cada vez mais convencido que terá sucesso.

O caso da ‘guru’ teve pouca relevância política, mas a investida de Robert F. Kennedy Jr. demonstra que nem todo o Partido Democrata se revê na candidatura de Joe Biden – que, todos sabem, caminha para um estado de velhice que dificilmente o manterá em plena capacidade até 2028. Com o desaparecimento político da vice-presidente Kamala Harris – e a acreditar-se nas sondagens – Biden surge como o democrata mais capaz de derrotar qualquer candidato republicano.

As sondagens indicam que vencerá Trump por uma pequena margem, mas não são tão conclusivas se o republicano em presença for o governador da Flórida, Ron DeSantis. Não é propriamente costume que um presidente que se recandidata tenha de ‘sofrer o rosário’ das primárias, mas nada proíbe que isso possa acontecer. Em 2020, um ex-governador do Massachusetts, Bill Weld, fez isso mesmo a Donald Trump, com o pouco sucesso que se conhece.

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