A Rio Tinto, maior produtora mundial de minério de ferro, e a Glencore, uma das maiores produtoras de metais básicos, reiniciaram conversações para uma potencial megafusão que criaria a maior empresa de mineração do mundo, numa altura em que as empresas lutam por expandir a produção de metais, incluindo o cobre – crucial para a transição energética, produção de energias renováveis e centros de dados.
As duas empresas já tinham estado em negociações no fim de 2024, mas as conversas foram suspensas. A anglo-australiana Rio Tinto tem, segundo a lei britânica, até 5 de fevereiro para formalizar a proposta, ou afastar-se novamente por um período de seis meses. Os dois grupos confirmaram separadamente que estavam em “discussões preliminares” sobre uma “possível combinação de alguns ou todos os seus negócios, o que poderia incluir uma fusão totalmente em ações entre a Rio Tinto e a Glencore”.
A Rio Tinto, maior produtora mundial de minério de ferro, tem uma capitalização de 142 mil milhões de dólares (121 mil milhões euros), enquanto a Glencore, uma das maiores produtoras de metais básicos, está a valer 65 mil milhões (55 mil milhões euros). As ações da Glencore na bolsa de Londres subiram 8,46%, enquanto os títulos da Rio Tinto, cotados na bolsa australiana, fecharam a última sessão com uma desvalorização de 6,27%.
A recente combinação entre a Anglo American plc e a Teck Resources Limited (que chegaram a um acordo para formar o grupo Anglo Teck, campeão global em minerais críticos e um dos cinco maiores produtores globais de cobre, com sede no Canadá) pressionou rivais com a BHP e a Rio Tinto a encontrarem soluções para expandirem a atividade, numa altura em que existe uma procura insaciável pelo cobre.
Os preços do cobre bateram recordes em 2025, atingindo os 11.600 dólares por tonelada, e espera-se que continuem a subir. O metal vermelho valorizou mais de 30% desde o arranque de 2025, impulsionado por preocupações com a oferta e, além disso, por um grande volume de exportações para território norte-americano, devido a receios com as tarifas.
O cobre é considerado um bom indicador do crescimento económico global e é crucial para o setor industrial. É também essencial também para a transição energética, servindo para equipar componentes usados na produção de energias renováveis, baterias para carros elétricos ou centros de dados. Os especialistas apontam que o consumo de cobre nos próximos 25 anos pode superar todo o cobre utilizado pela humanidade até agora.