Depois de semanas em que o pânico tomou conta dos mercados, parece haver algum espaço para correções às tendências instaladas e são vários os indícios que apontam nesse sentido.
Nos últimos dias, a Reserva Federal (Fed) dos EUA tem dado a entender que não tem certeza de que conseguirá evitar uma recessão, que seria provocada pela subida dos juros com o objetivo de combater a inflação. A hipótese de uma recessão tem vindo a ser incorporada nos preços recentemente.
Até agora, foi provocando uma queda nas ações, mas poderá ter um efeito contrário porque mesmo que não impeça a subida dos juros por parte dos bancos centrais no curto prazo, deverá implicar que a taxa terminal (o ponto mais alto dos juros neste ciclo) seja mais baixa e que as taxas até possam descer mais cedo do que o esperado. Num mercado altamente viciado em liquidez e em taxas baixas, ter um teto mais baixo para os juros poderá ser interpretado como positivo.
Os receios de uma recessão também estão a provocar um recuo nos preços do petróleo e de outras commodities. O crude recuou mais de 15% numa semana e, se o movimento continuar, significará uma menor pressão inflacionista – o que será bem recebido pelas bolsas e pelas obrigações.
Finalmente, há a questão do posicionamento no mercado. Os dados mais recentes mostram que os pequenos investidores em opções aumentaram as suas posições contra o mercado acionista e que os prémios pagos foram mais altos do que no pânico pandémico de março de 2020. Comparados com a capitalização bolsista, as posições em opções a apostar na queda das bolsas atingiram um máximo de 22 anos. Como já estão em perda, os pequenos investidores começam a entrar em pânico.
Historicamente, estas posições costumam ser um indicador “contrário”, pelo que estes comportamentos extremados sugerem uma recuperação no curto prazo. É raro estes investidores assumirem posições tão extremadas contra as ações e quando isso acontece… normalmente enganam-se!