O chefe da diplomacia checa, Jan Lipavski, um dos responsáveis de topo da presidência checa do Conselho da União Europeia (que a 1 de janeiro próximo será entregue à Suécia) disse pretender que os países balcânicos candidatos à União Europeia (UE) que estão a implementar reformas intensivas e não têm problemas em harmonizar as suas políticas externas e de segurança com a União não tenham de esperar pela reforma da tomada de decisão e das instituições da União. Ou seja, a República Checa considera que o alargamento deve ser efetivado antes do debate sobre a reforma de alguns dos pressupostos da União Europeia.
O ministro checo dos Assuntos Europeus, Mikulas Bek, alertou que, sendo o alargamento aos Balcãs Ocidentais uma das prioridades da expansão da UE, colocar esses países em ‘fila de espera’ até à reforma das instituições e mecanismos de tomada de decisão seria contraproducente.
“Este é o estado atual do debate político na União quando se trata de alargamento. Por outro lado, vemos que o alargamento tem efeitos importantes sobre os países que estão a aproximar-se da União. Alguns países estão a implementar reformas intensamente e não têm nenhum problema na harmonização das suas políticas externa e de segurança com os países da União. Nesse caso, é possível que eles entrem no bloco antes mesmo da sua reforma”, disse Lipavski à agência de notícias checa CTK.
Lipavski classificou como um dos sucessos da presidência checa o facto de a Bósnia-Herzegovina ter recebido o estatuto de candidato, o mesmo tendo acontecido com a liberalização de vistos para os nacionais do Kosovo que queiram entrar na União.
“A União é um acordo entre diferentes países, e processos que são até certo ponto burocráticos e deveriam ser totalmente transparentes podem acabar politizados. Testemunhamos isso com muita frequência. No entanto, a história mostra que a tendência de integração é uma questão de persistência”, disse.
“Hoje, não há nenhum país candidato que esteja pronto para entrar na União. Cada um dos países dos Balcãs está em num estágio diferente do processo, mas nenhum deles está a 100%”, disse Lipavski. Sucesso também no alargamento do espaço Schengen à Croácia, ainda que a Roménia e a Bulgária não tenham entrado na zona de livre circulação, embora, de acordo com a Comissão Europeia, tenham reunido todas as condições.