Os sete maiores bancos – CGD, BCP, Santander Totta, Novobanco, BPI, Banco Montepio e Crédito Agrícola – registaram, no primeiro semestre, lucros de 2.851 milhões de euros. O valor fica 1,76% abaixo dos resultados dos mesmos bancos um ano antes (2.902,1 milhões de euros).
Os lucros do primeiro semestre ainda não refletem o impacto da descida dos juros do Banco Central Europeu (BCE), que tem estado a iniciar ciclos de descida das taxas desde o final de 2024, com cortes sucessivos para estimular a economia.
A queda dos resultados dos sete bancos é muito inferior à queda da receita da margem financeira. Os maiores bancos registaram, em média, uma queda da margem dos juros de 10,6% face a junho de 2024 e a tendência é que essa queda se mantenha na segunda metade do ano. As comissões (outra fonte de receita) subiram na maioria dos bancos, exceto no BPI que regista uma queda anual de 11% e que o CEO explicou ser uma estratégia comercial para aumentar a quota de mercado. No entanto a subida da receita com comissões ficou abaixo da queda da margem financeira em quase todos os sete bancos (exceto o Novobanco onde a queda da margem foi de 6%, mas a subida das comissões foi de 11%).
Com a principal receita dos bancos em queda, os lucros são assim justificados essencialmente por aumento dos volumes do crédito, por um lado, e pela redução (libertação) de imparidades, por outro. O custo do risco (CoR) baixou em todos os bancos (o BCP é o pior aqui com um CoR de 0,33%). Em muitos bancos o custo do risco é mesmo negativo o que traduz libertação de imparidades. É o caso da CGD que reportou um CoR de -0,32%.
Segundo uma análise recente da Morningstar DBRS, a persistente libertação de provisões para perdas com empréstimos por parte dos bancos, a melhoria das comissões líquidas e algum controlo dos custos sustentaram os lucros.
Isso explica que, apesar da queda da receita de juros, a rentabilidade dos sete bancos oscile entre os 10,1% do Banco Montepio e os 32,9% do Santander Totta, que continua a ser o banco mais rentável do mercado. O banco liderado por Pedro Castro e Almeida supera mesmo o maior banco do sistema, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), cujo ROE (rentabilidade dos capitais próprios) ascendeu a 25,1%,
Destaca-se aqui ainda o facto de Novobanco ter superado o BCP em rentabilidade (um RoTE de 22,2% versus um RoTE de 14,9%).
“À medida que as taxas de juro continuam a diminuir gradualmente, esperamos custos de financiamento de depósitos mais baixos, uma elevada procura de crédito e uma melhoria da eficiência operacional para sustentar a rentabilidade”, refere a agência de rating DBRS numa nota emitida este mês após os maiores bancos portugueses apresentarem as contas do semestre.
A eficiência é também um indicador relevante para a rentabilidade. Com a maioria dos bancos a registarem uma queda anual do produto bancário (as exceções foram o BCP e o Novobanco, que registaram um aumento de 5,6% e 6%, respetivamente) e perante uma subida generalizada dos custos (exceto no BPIonde os custos caíram 7%), era expectável que o rácio de cost-to-income sofresse uma degradação.
O aumento do volume de negócios ajudou a mitigar o impacto da queda da margem. e a prova é que a carteira de crédito, em todos os sete bancos, regista um crescimento face a junho de 2024. No Santander e no Crédito Agrícola essa subida supera mesmo os 10%.
Não só a carteira de crédito subiu como a qualidade da carteira continuou a melhorar. A larga maioria dos sete bancos tem rácios de NPL (ou NPE) abaixo dos 2%. As exceções aqui são o Novobanco que reportou um rácio de Non Performing Loans (NPL) de 3,2% e o Crédito Agrícola que apresentou um rácio de NPL de 4,3%.
“A contínua libertação de provisões e imparidades significativas reflecte a melhoria da qualidade dos activos. Os empréstimos não produtivos (NPL) dos maiores bancos portugueses continuam a diminuir e comparam-se favoravelmente com os seus pares do sul da Europa”, diz a DBRS.
Também se pode observar que os bancos portugueses estão muito bem capitalizados. Olhando para os rácios de capital CET1 verifica-se que os bancos estão preparados para qualquer abrandamento económico que surja no horizonte, sobretudo numa altura em que as três maiores economias europeias (Alemanha, França e Reino Unido) apresentam fragilidades económicas, com risco inclusivamente de resgate do FMI (Reino Unido e França).
Os rácios de capital CET1 oscilam entre os 13,9% do Santander e os 23,7% do Grupo Crédito Agrícola. O Novobanco, mesmo depois da distribuição de dividendos e da redução de capital, continua com um rácio de capital de 16,8%.