Quem é Olga aos 70?

Olga Roriz tem um ritual. A cada década que passa, parte à descoberta daquilo que o tempo lhe trouxe, a vida lhe deu e tirou. Olha para dentro de si e não condescende. Expurga a dor, o riso, as memórias, o corpo.

Quem é Olga aos 70?
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Se em “O Tempo, Esse Grande escultor”, Marguerite Yourcenar explora a influência do tempo sobre a arte e a vida, utilizando a metáfora do tempo como um escultor que molda e transforma tudo o que existe; no solo “O Salvado”, Olga Roriz reflete sobre como o tempo age sobre a memória, os sonhos e os anseios – seus e da sua geração –, a dor que a morte provoca, os momentos de felicidade partilhados, as cumplicidades e gestos arrancados às entranhas. Resgatados de si própria. Ou não fosse o ‘salvado’ aquilo que “se salva, aquilo que é forte, que ficou em mim”, diz, e que eventualmente ainda não dissecou.

O verbo dissecar traz colado um bisturi. A imagem é dura. O corpo irá resistir a esse ‘bisturi’? São 70 anos de vida, 50 de carreira e 30 de companhia. Nos solos que têm marcado o seu percurso, a bailarina e coreógrafa Olga Roriz não falava com o público.

Estava exposta, sim, mas sem palavras. Apenas o corpo. E sempre foi uma forma de “ter a casa arrumada”, conta ao JE antes da estreia do solo, para conseguir “ter a cabeça caótica”. “E, às vezes, há coisas que nos tiram do sítio, que nos levam para outro sítio, que eventualmente não é aquele que nós queremos, ou ficamos abalados, ou seja o que for”, explica.

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