Queda da libra volta a suportar máximos na bolsa de Londres

FTSE 100 regista melhor série de ganhos em 33 anos. PSI 20 inicia o ano pressionado por subida nos rendimentos das obrigações soberanas. Ativos emergentes sofrem maior saída de fundos desde 2009.

Queda da libra volta a suportar máximos na bolsa de Londres
Jason Alden/Bloomberg

O FTSE 100, índice de referência na bolsa de Londres, que apresentou em 2016 um dos melhores desempenhos a nível mundial (valorizou 23%), continua em destaque neste início de 2017. Para além de registar onze subidas diárias consecutivas (a melhor série dos últimos 33 anos), o FTSE 100 encerrou na terça-feira pelo nono dia consecutivo em máximos históricos, algo nunca antes observado. Mais uma vez, a principal razão para este comportamento é a fragilidade da libra, que caiu para mínimos desde outubro face ao euro e ao dólar, melhorando as perspetivas para o setor exportador. A pressionar a moeda britânica estiveram os comentários da Primeira-Ministra, Theresa May, que afirmou que os controles de fronteira são mais importantes para o Reino Unido do que os acordos comerciais, situação que voltou a alimentar receios de um “hard Brexit”, com perda do acesso ao mercado único. Os ganhos na bolsa de Londres vão sendo também suportados pelo desempenho da economia britânica, que continua a contrariar as expectativas de um abrandamento, assim como pelas subidas das cotações dos metais, que beneficiam os títulos do setor mineiro.

O PSI 20 iniciou o ano com nota ligeiramente negativa, não acompanhando as subidas na maioria dos índices europeus. A bolsa portuguesa foi inicialmente pressionada pelo facto de a subida da inflação na zona euro, em dezembro, ter sido suficiente para voltar a levantar a hipótese de o BCE reduzir a aquisição de ativos. Esse cenário seria negativo para as obrigações soberanas, que têm beneficiado com as compras do Banco Central desde a introdução do programa de expansão quantitativa, em março de 2015. Portugal e Itália estariam entre os países mais vulneráveis, o que ajuda a explicar a subida dos yields da dívida pública portuguesa nos 10 anos para máximos desde fevereiro passado, acima dos 4%. Esta reação reforça a dependência de Portugal relativamente às condições externas e à política monetária do BCE, e pressiona o PSI 20 devido aos elevados níveis de endividamento da maioria das suas cotadas. Esta semana, o índice foi também penalizado pela queda do BCP, com as suas ações a ajustarem ao desconto do aumento de capital anunciado.

Uma referência final aos números relativos à saída de fundos dos ativos emergentes, no último trimestre de 2016. Nesse período foram retirados $38 mil milhões de ações e dívida dos mercados emergentes, um máximo desde 2009. A vitória de Donald Trump nas presidenciais norte-americanas levantou receios de que o maior protecionismo possa afetar o comércio global. No mesmo sentido, os seus planos de aumento da despesa em infraestruturas vão alimentando expectativas de uma subida de taxas de juro mais acelerada nos EUA, pressionando os ativos emergentes. Apesar deste cenário, os dados macroeconómicos nestas economias vão superando as previsões, com o índice de surpresa económica nos mercados emergentes, calculado pelo Citi, a ascender a máximos desde abril de 2011.

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