Proprietários defendem fim do congelamento das rendas como primeira medida do novo Governo

A sétima edição do barómetro “Confiança dos Proprietários” da Associação Lisbonense de Proprietários concluiu também que 12,7% dos donos de casas quer a revogação de todas as medidas do pacote Mais Habitação.

Proprietários defendem fim do congelamento das rendas como primeira medida do novo Governo
Casas imobiliário

Mais de dois em cada dez (20,2%) proprietários em Portugal querem que a primeira medida do novo Governo seja acabar com o congelamento das rendas e liberalizar o mercado de arrendamento. O XXIV Governo Constitucional toma posse esta terça-feira e os donos de imóveis deixaram algumas mensagens ao Executivo de Luís Montenegro no sétimo barómetro “Confiança dos Proprietários” da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP).

Quando questionados sobre qual deveria ser a primeira medida do novo Governo, 15,8% dos proprietários pedem para ser vistos como privados parceiros e não como “inimigos”. Segue-se um pedido de choque fiscal no arrendamento (13,5%), com uma diminuição da fiscalidade sobre o património imobiliário, e a revogação de todas as medidas do pacote Mais Habitação (12,7%).

A esmagadora maioria (96%) dos donos de casas foram às urnas, sendo que 66% votou em partidos da direita. Talvez por essa razão 44% dos proprietários de imóveis defendam uma coligação entre os três partidos da direita (AD, Chega e Iniciativa Liberal). No entanto, as opiniões dividem-se: 43% está satisfeito com os resultados das eleições e 39,5% não.

“As primeiras semanas e meses da nova legislatura vão ser determinantes para entregar sinais inequívocos aos proprietários de imóveis que o Estado voltou a ser uma pessoa de bem. O fim do congelamento das rendas deve ser a medida prioritária, pelo seu simbolismo, para a retoma da confiança dos proprietários de imóveis. Está quantificado por um organismo independente do Estado o quanto lesa anualmente os senhorios privados, que não têm qualquer obrigação de assegurar uma função social que só compete ao Estado”, alerta o presidente da ALP.

Para Luís Menezes Leitão, “este barómetro evidencia que os senhorios só querem justiça, equilíbrio e ser parte de uma solução que permite mais habitação para todos, apoiando a viabilidade e longevidade deste novo ciclo político que agora se inicia”.

Se 45% não acredita que esta legislatura chegue até ao fim, outros 46% dão o benefício da dúvida ao Governo liderado por Luís Montenegro, respondendo com um “talvez” à sua longevidade, segundo a análise da associação.

Segundo a amostra, que incluiu mais de 500 respostas, 21,4% dos inquiridos decidiram não aumentar a renda de 2024 pelo coeficiente de 6,94% permitido por lei. Cerca de um terço dos respondentes não o fez porque tem contratualizado por mútuo acordo outro coeficiente anual no contrato de arrendamento, mas 14% preferiu outra percentagem de aumento por achar que o coeficiente apurado pelo INE para 2024 poderia colocar os seus inquilinos em incumprimento.

De facto, o valor do incumprimento tem-se mantido elevado nas sete edições do barómetro da ALP: quase um quarto dos senhorios (23,6%) lida com o atraso no pagamento das rendas pelos seus inquilinos e cerca de metade (48,7%) até pondera avançar para despejo, de acordo com este inquérito amostra, cujas entrevistas foram feitas entre os dias 14 e 22 de março.

Relacionado