Preço dos automóveis novos leva 53% dos portugueses a continuar a optar por usados

O elevado preço dos automóveis novos está a empurrar os portugueses para o mercado de usados, revela o estudo “Setor Automóvel: Cinco vias para a retoma” do Observador Cetelem.

Preço dos automóveis novos leva 53% dos portugueses a continuar a optar por usados
Cristina Bernardo

O preço dos automóveis novos pode estar a levar os portugueses a preferir o mercado de usados, segundo o mais recente estudo do Observador Cetelem, marca comercial do BNP Paribas Personal Finance em Portugal, intitulado “Setor Automóvel: Cinco vias para a retoma”.

Segundo o estudo desenvolvido pelo Observador Cetelem (BNP Paribas Personal Finance), o preço tornou-se o principal fator de tensão, levando os portugueses a privilegiar o mercado de usados em detrimento dos veículos saídos da fábrica.

A análise revela um paradoxo interessante: embora 94% dos portugueses mantenham uma imagem extremamente positiva dos carros novos (valor acima da média internacional), a realidade financeira impõe-se. Atualmente, 93% dos consumidores nacionais consideram os veículos novos demasiado caros. Mais do que uma simples perceção de custo, há um sentimento de injustiça no mercado, com 60% dos inquiridos a afirmar que as subidas de preço registadas nos últimos anos não têm uma justificação clara.

Esta barreira económica reflete-se diretamente nas intenções de compra para os próximos cinco anos. Pela primeira vez, a balança pende para o mercado de segunda mão: 53% dos portugueses planeiam comprar um carro usado, enquanto apenas 49% admitem a intenção de adquirir um modelo novo (um valor significativamente abaixo da média internacional de 58%). Esta preferência é sustentada por uma elevada confiança no setor de usados, que goza de uma opinião favorável de 85% dos inquiridos em Portugal.

O contexto europeu ajuda a explicar este cenário. Entre 2015 e 2024, as sucessivas crises sanitárias, geopolíticas e económicas causaram um défice de 20 milhões de veículos nas estradas europeias, resultando num envelhecimento acentuado do parque automóvel. Nesse período na Europa as vendas anuais caíram de 17 milhões de automóveis (2015-2019) para 11,75 milhões (2020-2024),

No entanto, Portugal tem demonstrado uma resiliência notável. Em 2024, a produção nacional cresceu 8,3% e as vendas subiram 4,4%. Esta tendência de recuperação manteve-se no primeiro semestre de 2025, com 143 mil viaturas comercializadas, onde a mobilidade sustentável ganha terreno, com os modelos elétricos a garantirem já uma quota de 20%.

Em comunicado a Cetelem revela que “Portugal sentiu o impacto face ao ano de 2019 (345 mil produzidos e 268 mil vendidos), mas revelou resiliência em 2024, pois segundo a Associação de Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), o país produziu 260 mil unidades (+8,3% face a 2023) e vendeu 240 mil (+4,4%). A recuperação continuou no primeiro semestre de 2025, com 143 mil viaturas comercializadas (+4,2% homólogos), com destaque para a quota de 20% de modelos elétricos”.

Para que o setor recupere o dinamismo perdido e combata o envelhecimento da frota, o estudo do Observador Cetelem aponta cinco pilares prioritários: o preço, as políticas públicas, a dimensão emocional (ligação às marcas e design), a oferta e a distribuição. O desafio futuro passará por equilibrar o forte valor emocional e social que os portugueses atribuem ao automóvel com uma realidade económica que, de momento, trava a renovação total do parque automóvel nacional.

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